sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Melhor Chamar Dr. T.

Por Nicholas Maciel Merlone

Na solidão e na companhia, busco forças para seguir em frente! Nas leituras e nas viagens que faço a partir de meu banker (quarto) com uma modesta biblioteca, viajo pelo mundo sem sair de casa! A vida segue!

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Atualizado em 25 de outubro de 2021 10:50



Olá! Tudo bem? Meu nome é T. Alguns, nos fóruns, nos ofícios, nas varas, nos tribunais, enfim, no cotidiano forense preferem me chamar por Dr. T. Confesso, desde já, que não me agrada o pronome de tratamento, Dr. Porém, ossos do ofício! Se assim preferem, que assim seja. Também não gosto de ser chamado de Sr. Para mim, Sr. está no céu! Porém, mais uma vez, se assim preferem...

Opto por narrar estes fatos do dia-a-dia na primeira pessoa. Acredito que seja melhor assim. Algo mais corajoso! Sem medo! Um mergulho nas relações jurídicas e humanas, nas quais pulo de cabeça!

Hoje é sexta-feira! Após uma dura semana de trabalho, enfim posso relaxar um pouco. Em minha casa, meu lar, tomo sozinho à noite um vinho tinto de supermercado e fumo um charuto holandês barato. Deixo me envolver pelo néctar de Baco e ser levado pelas fumaças defumadas sem rotas definidas. Eis que toca o telefone.

Uma colega da época de faculdade. Me ajudara bastante nas tarefas e lições do curso. Na ocasião, por falta de experiência, não soube conduzi-la ao esplendor. Ofereci um "miojo" com ovos, quando, na verdade, deveria ter oferecido um salmão defumado, com cebolinhas verdes, com cogumelos, arroz branco, ovos mexidos e um bom vinho. Minha amiga me liga, assim, de repente, no meio da noite. Também advogada deseja marcar uma reunião acerca de um caso. Não recuso! E marcamos de pronto!

No sábado, encontro-a em um café, localizado em uma esquina, próximo a um grande hotel. Ela logo diz, quando pergunto do que se trata: "Bora logo resolver pendências!". E sem deixar que me manifestasse diz: "O hotel é logo ali! Vamos?!". E obediente e como seu fiel servo, deixo-me levar e conduzir por seus encantos, feitiçarias, magias puras!

Um ótimo fim de semana. Uma nova semana se irradia! Após refeições, almoços e orações em família, me preparo para mais uma semana no batente! O trabalho! Em frente!

No fórum de Santana, duas audiências no mesmo dia, uma seguida da outra. Dr. T, de Terno e gravata. Apesar de tudo, não reclamo! Faz parte! Gosto de dizer que estou fantasiado! E, por baixo de minha fantasia, um amuleto da sorte! Minha camisa do Batman para dar sorte!

Para conciliar as audiências, chego um pouco cedo e converso com os responsáveis de cada ofício, para explicar a situação e as demandas. Cientes disso, me tranquilizam e dizem que não há com o que se preocupar.

Uma audiência de violência doméstica e outra sobre regulamentação de visitas (direito da Família). Sou academicamente especialista em direito do Estado e constitucional, com foco no Direito Público. Já na prática forense sou um generalista, com atenção particular em determinados temas, como Consumidor e Família e PMEs. Na realidade, tenho parcerias com outros advogados, o que me permite atuar em diversas frentes. Mas! Voltemos aos Fatos!

No caso da violência doméstica, consegui que a excelentíssima juíza absolvesse o réu. Nas alegações finais, a digna promotora de justiça alegou por tempo extenso suas observações. Quando me foi dada a palavra, logo disse de início que seria breve. Meus argumentos! O réu é primário e sem antecedentes. As medidas protetivas concedidas afastam a suposta vítima de qualquer perigo. Há insuficiência probatória no caso, não sendo comprovados os fatos. Temos hoje a Justiça Seletiva, velha conhecida da Opinião Pública. O STF (Supremo Tribunal Federal), nesse sentido, absolveu um furto de um copo de requeijão. Assim, seria preciso uma mudança de cultura e posturas, sem a ânsia condenatória, diante da insignificância e bagatela, que não ferem significativamente o bem jurídico protegido. Disse que seria breve! E assim fui! Logrando êxito no feito!

Já quanto à ação de regulamentação de visitas, trata-se de um caso que envolve uma tia-avó pleiteando mais tempo com os netos, em detrimento dos pais. Os genitores nunca se casaram e estabeleceram de comum acordo as regras de visitas dos menores. Os pais simples e bem esclarecidos, não negam as visitas a tia-avó, constatado os laços afetivos das crianças com a senhora. Porém, a senhora alega até que as crianças choram quando vão embora. O que, no entanto, clarificado quando o pai informa que a senhora comprou um Playstation e só deixa os sobrinhos netos utilizarem em sua residência. Quando as crianças pedem para leva-lo para casa, a tia-avó nega, afirmando que o brinquedo só pode ser utilizado em sua casa. Diante das exposições dos fatos, dos argumentos das partes e nossos, e concessões de nossa parte, o outro pólo da ação quer mais, não satisfeito com as concessões. No final, a audiência restou infrutífera. Porém, o martelo da lei, após uma parábola à Esopo, não uma filosofia kantiana ou aristotélica, resumiu com uma estória filosófica cotidiana, que, em síntese, "quem tudo quer, nada tem!".

Finalmente, depois de mais uma semana, mais um final de semana! Recarrego as baterias. Vou a bares, botecos, botequins e ponho o papo em dia com os amigos. Passo mais tempo em família. Por outro lado, também passo horas sozinho. Na solidão e na companhia, busco forças para seguir em frente! Nas leituras e nas viagens que faço a partir de meu banker (quarto) com uma modesta biblioteca, viajo pelo mundo sem sair de casa! A vida segue! Não há como parar o trem! Temos de seguir em frente! Em frente! E viva Saul! E viva Suits! Better call Saul e Suits pulando da telinha da tevê, do Netflix, para um mundo fantástico! Uma vida dura, porém uma bela jornada!

Nel Mondo di Bobbio e Beccaria - B.B. Kings!

Por Nicholas Maciel Merlone

Em uma das mesas, dois grandes amigos de longa data se encontram e botam o papo em dia...

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Atualizado às 09:06


Sexta-feira à noite. Faz frio, muito frio. Folhas secas de plátano são sopradas pelo vento e rodopiam em aspirais pelas ruas e calçadas. Mulheres, homens, idosos e crianças transitam num vai e vem frenético, todos bem agasalhados, com chapéus, tocas, boinas, cachecóis, casacos, tênis, sapatos, botas e outras vestimentas. No centro da cidade metrópole megalópole cinematográfica, doce senhora, Sampa city, uma praça aconchegante, cortada por uma ruazinha sinuosa, com um chafariz no centro, com alguns restaurantes de massa. Dentre esses, um piano bar fantástico!

Em uma das mesas, dois grandes amigos de longa data se encontram e botam o papo em dia. Neste momento, toca La Traviata. Bobbio e Beccaria, ao som da canção, lembram de suas aventuras amorosas da adolescência temporona, aos 20 e poucos anos. Lembram que saiam pela cidade noturna em busca de paixões ardentes e súbitas, de rua em rua, de esquina em esquina. Então, a música acaba. E começa outra: La donna è mobile!

E os amigos, assim, clamam pelo garçom camarada de sempre, seu Jorge, que lhes traz, prontamente, uma brusquetta temperada e dois chinottos gelados com canudinhos. Bobbio e Beccaria, então, lembram das donnas, jovens coroas de 30 e poucos, suas vítimas favoritas. Risadas e boas lembranças eternizadas pelas areias do tempo e pelas leituras vivenciadas de Balzac.

Depois de amenidades, discutem outras ideias. Ao longo da conversa, um decide sintetizar os pensamentos do outro.

Beccaria diz: "Estimado amigo! Tu és grande! Ensinou à esquerda que a igualdade deve se preocupar com as liberdades individuais e que a democracia não é meramente procedimental, mas um verdadeiro valor estratégico, substantivo, que deve ser real e não mera retórica! E aos liberais, que o liberalismo político deve considerar a igualdade, não se limitando a um liberalismo econômico, preocupando-se com o social! - um genuíno crítico da política e pensador humanista social-liberal!"

Bobbio, agradecido, retribui: "Ora, nobre amigo! Tu também és grande! Criticou as duras penas sofridas pelas pessoas. Contra a tortura e tratamentos degradantes. Lutou pela humanidade das penas, contra abusos e ilegalidades. Por um direito penal mais justo e pela paz social na sociedade. Afinal, quem rouba uma melancia para alimentar a família não merece a mesma pena de um genocida. Ou ainda, daquele que furta um bacalhau. Já que... talvez precise de ômega 3, mas não vem ao caso! Enfim, és um grande dos grandes!"

Mas chega de rasgação de seda. Neste instante, passa a tocar Viva la Mamma! E o seu Jorge serve-lhes cannolis apetitosos e mais dois chinottos estupidamente gelados! E os dois amigos, de goles em goles, vão pra longe de novo! Voltam aos tempos de faculdade. Lembram dos jogos jurídicos, das festas e das peripécias secretas, que ninguém um dia saberá!

Então, o papo de repente é cinema. Lembram do Ladrão de Bicicletas, Cine Paradiso e outros como Os Boas Vidas e A Comilança. As imagens, assim, passam pela telinha de suas mentes e, entre um gole e outro de chinottos, os dois relembram as cenas clássicas dos dois últimos filmes, às gargalhadas e soluços!

Finalmente, avistam pela janela passar pela calçada una bella donna! E enquanto isso, John Pizzarelli surge na mágica noite e toca The Girl from Ipanema! Admiram a donna mais bela que Nicole Bahls ou talvez Alice Braga! Ou ainda, Sophia Loren, em seus tempos áureos! Mas não importa! Nada disso importa! A noite começa! Os amigos celebram e brindam a vida e a amizade! E, de súbito, chega de mansinho sem avisar a canção Volare! Volare! Volare, oh, oh! Cantare, oh, oh!

Sorte ou acerto de gestão? Como a Leitura virou uma gigante dos livros no Brasil

 

Marcus Teles, CEO da Livraria Leitura. Crédito: Divulgação


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domingo, 16 de junho de 2024

Antonio Prata | Nu, de Botas - Shakespeare nas Dunas

Por Antonio Prata

Férias de verão, minha mãe e meu padrasto alugaram uma casa em Arraial do Cabo para passarmos o mês de janeiro. Na véspera da viagem, arrumaram as malas, fizeram uma grande compra de supermercado e mandaram besuntar o Passat verde-musgo com óleo de mamona - suposta proteção contra a maresia que, até hoje, não sei se era uma particularidade da nossa família ou uma dessas bizarrices comuns no final do século XX, como passar Coca-Cola na pele antes de tomar sol ou fazer polichinelos nas aulas de educação física. Na manhã seguinte, com o porta-malas lotado, a lataria viscosa e os ânimos exaltados, pegamos a estrada.

Nossa casa ficava no alto de uma encosta, bem diante do mar. Tinha um quintal com pomar atrás, e uma varanda na frente, sombreada pela copa de uma amendoeira centenária. Todos os dias acordávamos cedo, tomávamos café da manhã na mesinha embaixo da amendoeira, e depois de uns cincos minutos ziguezagueando pela trilha do morro, chegávamos à praia, com as dunas de areia branca só para nós, meia dúzia de forasteiros e pescadores. Armávamos o guarda-sol, abríamos as cadeiras e esteiras e ali ficávamos, quase até o anoitecer.

Nas infinitas manhãs, enquanto minha mãe e meu padrasto liam, eu e minhas irmãs nos dedicávamos às típicas atividades de criança na praia: nadávamos, rolávamos na areia (chamávamos de "fazer croquete"), construíamos castelos, cavávamos buracos, realizávamos autópsias nos baiacus inchados trazidos pelo mar. Lá pelas três, meu padrasto fechava o livro: "E aí, quem quer uma birita?". Caminhávamos até uma birosca de pau a pique, comíamos pastéis, eles bebiam caipirinha e nós, Fanta Uva.

No finzinho da tarde, havia o arrastão. Eu e meu padrasto ajudávamos a puxar a rede - bem, ele ajudava, eu só ficava por ali, agarrado à velha corda azul, fingindo que meus pequenos músculos faziam alguma diferença na luta dos homens contra o mar. Quando a rede chegava, carregada - um borbulhante lago prateado, refletindo os últimos raios de sol -, recebíamos uma ou duas tainhas por nossa contribuição e íamos para casa, assá-las. Depois de jantar, eles nos liam alguma história dos irmãos Grimm ou do Monteiro Lobato e capotávamos, para acordar cedo no dia seguinte e começar tudo de novo.

Por mais divertidas que fossem nossas atividades praianas, um mês é muito tempo e era inevitável que em algum momento fôssemos visitados por aquele implacável companheiro da infância: o tédio. No final de uma manhã, lá pela terceira semana, cansados do mar, da areia, dos "croquetes", pastéis, picolés e barrigas dos baiacus, nos encarapitamos sob o guarda-sol e, emburrados, pusemos em prática a única estratégia que conhecíamos para espantar a infelicidade: azucrinar a vida dos adultos até que eles nos trouxessem alguma solução.

Minha mãe propôs que caminhássemos até as pedras, que fizéssemos um castelo, disse até que poderia ler algo dos irmãos Grimm ou do Monteiro Lobato, mas o tédio tem uma bunda imensa: quando assenta as nádegas sobre nossas cabeças, achata toda a circunferência do mundo conhecido; para escapar de seu adiposo domínio, só encontrando alguma atividade inédita, em mares nunca dantes navegados.Conhecendo intuitivamente o antídoto, minha meia-irmã bateu os olhos no livro que seu pai tentava ler e perguntou o que era. Romeu e Julieta, ele disse, e não o deixamos mais continuar a leitura: “Sobre o que é? Por que eles não podiam casar? Onde fica Verona? Dá pra chegar de carro? E de barco? Pra que lado? É antes ou depois da África?”.

Simplificando um pouco a linguagem, meu padrasto nos resumiu o começo da história: as famílias rivais, a festa à fantasia, o filho dos Montéquio, a jovem Capuleto, o amor proibido. Em cinco minutos, após mais de uma hora de lamúrias, havíamos ficado quietos e atentos. Não sei se instigado por nosso interesse ou simplesmente temeroso de que voltássemos ao tédio profundo, meu padrasto resolveu abandonar a versão resumida e começou o livro pelo começo - inserindo, aqui e ali, algumas notas de rodapé.

Daquele dia em diante, quando voltávamos da birita, entupidos de Fanta Uva e pastel, sentávamos nas esteiras e, até o sol se pôr, ouvíamos a continuação da história. Mais tarde, ao nos deitarmos na cama, não queríamos saber de feijões encantados ou reinações de Narizinho: só nos interessava o futuro do casal.

Hoje, acho que entendo o porquê do nosso interesse por Romeu e Julieta. Filhos de pais recém-separados, não nos eram nada distantes, perdidas no século XVI, situações como “amor impossível”, “relações inconciliáveis”, “a casa dos Montéquio” e “a casa dos Capuleto”. Por mais civilizados que tivessem sido os divórcios do meu pai e da minha mãe, do meu padrasto e de sua ex-mulher, em algum lugar devíamos nos solidarizar com dois jovens cujas vidas eram afetadas pelas rixas de seus antecessores. Ou, talvez, nem precisássemos ir tão longe. Afinal: o que é a infância senão uma sequência de desejos cerceados pelos adultos?

Os dias foram se passando e nós ficando cada vez mais ligados ao livro. Para alongar a narrativa, minha mãe e meu padrasto se aprofundavam em detalhes, descreviam roupas e cenários, cantarolavam as músicas dos bailes, assoviavam os pios dos passarinhos, inventavam comidas, animais e plantas da floresta. Embora percebêssemos a artimanha e reclamássemos às vezes - “pula, pula, isso é sobre!”, eu dizia -, eles conseguiram levar Romeu, Julieta e as três crianças firmes e fortes até o fim das férias.

No penúltimo entardecer, subimos para casa com o coração na boca: o mundo tramava contra o amor proibido, Romeu havia sido obrigado a fugir para Mântua, Julieta estava prometida a Páris, mas o plano do frei Lourenço era excelente! Daria à moça um falso veneno, que a faria parecer morta. Romeu a encontraria no jazigo dos Capuleto, a acordaria do sono profundo, fugiriam para longe de Verona (Arraial do Cabo, talvez?) e seriam felizes para sempre. Não era assim, afinal, que terminavam as histórias?

Eis o que se perguntavam meu padrasto e minha mãe, vez após outra, naquela insone noite de verão. Como sair da arapuca em que haviam se colocado? Deveriam profanar Shakespeare, censurando o final, fazendo, talvez, com que a carta de Julieta chegasse a Romeu via pombo-correio, em vez de viajar no bolso de um emissário? Cometeriam um hediondo anacronismo colocando ao lado da sepultura um providencial orelhão, cujo toque, no momento em que Romeu erguesse a adaga, mudaria, deus ex machina, os rumos da história? Ou o correto seria seguirem fiéis ao enredo, Shakespeare é Shakespeare, a arte está acima de tudo, não se pode esconder a verdade das crianças, e, no fim das contas, elas sairiam fortalecidas da experiência?

Lembrem-se, era início dos anos 80. Maio de 68 estava mais próximo de nós que a obrigatoriedade de cadeirinha para bebês no banco de trás dos carros, a discussão, portanto, sobre o que seria mais danoso às crianças - a violência da história ou da mentira - entrou noite adentro, escorando-se em Harold Bloom e Paulo Freire, Bakhtin e Piaget, Nietzsche,  Freud e sabe-se lá mais quem. Já estava amanhecendo quando chegaram a uma conclusão.

Pela última vez, tomamos café sob a amendoeira, descemos a trilha até a praia, cruzamos as dunas, armamos acampamento. Lá pelas três, depois da birita, como de costume, sentamos em volta dos dois, prontos para ouvir o aguardado final de Romeu e Julieta.

Não lembro quem contou, se minha mãe ou meu padrasto. Lembro é de um frio polar no estômago, de um clarão no céu, do mundo revolto como as entranhas de um baiacu. Minha irmã mais nova perguntava, lívida, ainda sem acreditar, “mãe, mãe, que que é adaga?!”, minha meia-irmã caminhava a esmo, “nããão! Romeu! Nããão! Julieta!”, os adultos atrás, atarantados como vaqueiros no estouro da boiada, “mas olha, as famílias fizeram as pazes!”, “olha, é só uma história, é de mentirinha! Quem aí quer um picolé?!”. “Mortos! Mortos!”, gritávamos, rolando pelas dunas, areia grudando no rosto, pequenos e trágicos croquetes pranteando o casal de Verona, que morria junto ao último sol daquele verão.

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quinta-feira, 13 de junho de 2024

IASP | Direito e Literatura em Shakespeare - José Roberto de Castro Neves

Status: on-line
Em 04 de junho de 2024, tivemos o grande evento Direito e Literatura em Shakespeare, promovido pelo Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP). Na ocasião, o palestrante convidado, Dr. José Roberto de Castro Neves, doutor em Direito Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestre em direito pela Universidade de Cambridge, Inglaterra, professor de direito civil da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-Rio), advogado, e, profundo conhecedor do Bardo inglês, expõe de início que o escritor inglês é envolto de um "assunto delicioso e importante", que, na verdade, para apreciá-lo não precisa ser um profundo conhecedor. Então, o conferencista reflete sobre o prazer da leitura, sendo uma delícia ler, com a imaginação fluída, onde você conversa consigo mesmo.


A seguir, explicita os motivos pelos quais os advogados devem ler:

(a) prazer / conhecer a si mesmo;

(b) para se comunicar;

(c) para interpretar os textos;

(d) compreender a humanidade;

(e) cultura.



O autoconhecimento é muito importante e a leitura ajuda nisso. A literatura nos ensina a nos comunicar, a usar as palavras corretas, a diferenciar a ironia da grosseria (linha tênue), a fazer silêncio nos momentos certos. Igualmente, a leitura realmente fornece uma base para interpretar os textos. Além disso, auxilia na compreensão da humanidade - a literatura, segundo Castro Neves, é o abecedario da humanidade, sendo o ser humano a diferença, de modo que conhecer a humanidade é fundamental. E ainda, para o palestrante, a tragédia se relaciona com a humanidade, e o que faz a tragédia é a circunstância das pessoas, por certo, que está na humanidade, em nossas vidas. E também vale dizer que a tragédia permeia as obras do bardo inglês. Finalmente, cabe diferenciar cultura de informação (cultura x informação), pelas palavras do expositor. Castro Neves esclarece que cultura tem uma carga de valor, enquanto informação, não.

O palestrante reflete que em Shakespeare:

1) nunca há respostas;

2) tudo tem um motivo;

3) não há influência do divino;

4) existe uma ordem;

5) o homem é complexo.

Resultado: Tudo se discute - tudo é objeto de discussão.


Adiante, Castro Neves explicita que 2/3 de suas peças aborda julgamentos e temas jurídicos. Nesse sentido, há sua célebre frase: "A primeira coisa que temos a fazer é matar todos os advogados", o que, na realidade, é um grande elogio aos advogados, já que estes são o alicerce da sociedade. O escritor inglês - vale dizer - foi crítico ao Judiciário de sua época em alguns momentos.

A Dra. Marina Bevilacqua de La Touloubre, vice-presidente da Comissão de Estudos de Direito e Literatura do Instituto dos Advogados de São Paulo - IASP, afirma:

"Passou voando! Sob a batuta de Jose Roberto de Castro Neves, a reunião de junho da Comissão de Direito e Literatura do Instituto dos Advogados de São Paulo - IASP foi uma deliciosa viagem pelas obras de Shakespeare em seus mais evidentes e mais insuspeitos aspectos jurídicos.

Com sua verve cativante, nosso convidado nos transportou para uma Europa em ebulição, traçando paralelos pra lá de perspicazes entre os dramas explorados pelo Bardo e a nossa atual realidade - "nossa" enquanto profissionais do direito, enquanto povo brasileiro e enquanto cidadãos do mundo. Vida longa a esse time, Ricardo Peake Braga e Mauricio Felberg!"

"Deliciosa palestra sobre Shakespeare por José Roberto Castro Neves, em mais em evento da Comissão de Direito e Literatura do IASP" expõe o Dr. presidente da Comissão de Estudos de Direito e Literatura do Instituto dos Advogados de São Paulo - IASP.


quarta-feira, 5 de junho de 2024

“Nada vai se comparar a isso”, diz influencer ao ler Brás Cubas

O vídeo da influenciadora norte-americana encantada após ler “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, viralizou na web


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terça-feira, 4 de junho de 2024

Fabrício Corsaletti | Perambule - Baldinho

 Por Fabrício Corsaletti in Perambule

Baldinho

"Não usava bolsa nem mochila, mas um balde de ferro pequeno, desses de deixar sobre a mesa com gelos e cervejas. Levava-o pra todas a parte. E dele tirava, quando necessário: carteira, óculos escuros, analgésicos, livros, CDs, chave, smartphone, cartões com dicas de restaurantes, maçã, baralho, guarda-chuva, moletom. Pelas costas, começaram a chamá-lo de baldinho. 

Quando, numa sexta-feira, soube do apelido, se sentiu esquisito e passou o fim de semana como que de luto. Na segunda-feira doou o balde pro porteiro do prédio onde vivia com a mãe e comprou numa loja do centro uma mochila preta, a mais discreta e comum. Fez questão de rever os amigos e os colegas de trabalho. Queria marcar o fim de uma era de inquietação e liberdade traduzidas em extravagância, e o início de uma vida sem confrontos com a moral e os costumes de seu tempo. Mas continuaram a chamá-lo de Baldinho." (Baldinho in: Fabrício Corsaletti, Perambule. São Paulo: editora 34, 2018. p. 85)

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Dia do Cinema Nacional: Veja filmes que ajudam no vestibular

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