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terça-feira, 25 de novembro de 2025

Bar Doce Lar: A Leveza de Crescer Entre Copos e Sonhos

 Por Nicholas Maciel Merlone

Publicado originalmente no Jornal O DIASP (veja aqui!)

Há algo de profundamente reconfortante em assistir a "Bar Doce Lar", o filme de George Clooney disponível no Amazon Prime Video. Não pela originalidade da história — porque, sejamos honestos, já vimos variações dela antes. Mas pela maneira como consegue transformar um clichê em algo tão humano, tão verdadeiro, que você esquece de estar diante de uma fórmula conhecida.

Divulgação

A estória é simples: um menino (vivenciado primeiro por Daniel Ranieri, e posteriormente por Tye Sheridan) abandonado pelo pai encontra refúgio no bar (chamado de Charles Dickens - empoeirado, repleto de livros e regado a bebidas) do tio (Ben Affleck) e, entre conversas de boteco e goles de sabedoria popular, aprende a sonhar grande. J.R., de nove anos, se muda para a casa do avô (Christopher Lloyd, o emblemático Doc Brown - De Volta para o Futuro) em Long Island e encontra no tio Charlie, bartender carismático, e nos clientes do bar, suas verdadeiras figuras paternas. O roteiro, adaptado das memórias do jornalista vencedor do Pulitzer, J.R. Moehringer, equilibra com maestria o peso do abandono e a leveza do acolhimento.

Ben Affleck rouba a cena como o tio Charlie. Não pela pirotecnia dramática, mas pela simplicidade generosa de quem já viveu o suficiente para saber que nem toda lição precisa vir com sermão. Affleck entrega um personagem que é porto seguro e provocador ao mesmo tempo — uma contradição humana que funciona exatamente por isso.

O que torna "Bar Doce Lar" especial não são seus acertos técnicos, mas sua generosidade emocional. O filme entende que crescer é, muitas vezes, encontrar família em lugares improváveis. Que pai não é quem gera, mas quem fica. E que sonhos são cultivados não em grandes discursos inspiradores, mas nas pequenas conversas do dia a dia, entre um copo e outro, com o barulho de fundo de gente vivendo.

Depois, quando J.R. vai para Yale, se envolve em um romance. Sim, falta ousadia. Mas, há uma certa pitada cômica. Em seu trajeto até a faculdade, conversa com um padre no trem. Ao se formar, o jovem procura se tornar escritor e, em Nova Iorque, busca uma vaga de repórter no The New York Times.

Com efeito, o filme tem uma honestidade que desarma. Clooney não tenta reinventar a roda — ele apenas a faz rodar com suavidade, lubrificada por aquela nostalgia boa, a que não dói. "Bar Doce Lar" não é um filme perfeito, mas é um filme necessário. Num mundo tão barulhento, incerto e apressado, ele nos lembra que às vezes basta sentar no balcão, pedir uma bebida, ouvir uma boa estória e deixar a vida ensinar, o que se encaixa perfeitamente com a trilha sonora do filme, que envolve e contagia.

quinta-feira, 29 de maio de 2025

CADERNOS DO CINEMA | “Guerra Civil”: Wagner Moura brilha em distopia tensa sobre o colapso dos EUA e o papel do jornalismo

Por Nicholas M. Merlone, especial para O DIASP (Confira aqui!)


Em Guerra Civil, novo filme de Alex Garland, o cenário é tão inquietante quanto plausível: os Estados Unidos entraram em colapso. Forças separatistas armadas avançam sobre Washington, enquanto o governo central se isola e a democracia parece um vestígio do passado. É nesse contexto que o cineasta britânico constrói um thriller político que se recusa a oferecer respostas fáceis, mas levanta questões profundas sobre a ética jornalística, a banalização da violência e a falência das instituições.

O filme acompanha um grupo de jornalistas em uma jornada rumo à capital, na tentativa de entrevistar o presidente antes da tomada militar. Entre eles, destaca-se Joel, vivido com vigor por Wagner Moura, que entrega uma das atuações mais potentes de sua carreira internacional. Carismático, intenso e moralmente ambíguo, seu personagem funciona como uma espécie de bússola emocional da trama – ainda que muitas vezes ele mesmo esteja perdido em meio ao caos. Moura domina a tela com sua presença magnética e representa, com nuances, o conflito entre o impulso de documentar e a impotência diante da barbárie.

Ao lado dele está Lee (Kirsten Dunst), uma veterana fotojornalista marcada pela exaustão emocional e um olhar desencantado sobre o mundo. Mas é a jovem Jessie, interpretada por Cailee Spaeny, quem oferece ao espectador o ponto de vista mais impactante. Aspirante a jornalista, inexperiente e cheia de idealismo, ela é o fio condutor da narrativa. Em Jessie, vemos não apenas o choque da juventude diante da brutalidade, mas também o nascimento da consciência profissional e moral de quem escolhe relatar a verdade num mundo onde a verdade se tornou artigo raro.

Spaeny conduz sua personagem com notável sensibilidade, equilibrando fragilidade e determinação. Sua jornada é, no fundo, a do amadurecimento: da hesitação diante do primeiro disparo ao sangue-frio necessário para apertar o botão da câmera no instante certo. Se Dunst representa o fim de um ciclo e Moura, a zona cinzenta da prática jornalística, Spaeny simboliza o que resta de esperança — ou, talvez, o quanto essa esperança será rapidamente esmagada.

A relação entre os três é marcada por tensão geracional, choques éticos e uma silenciosa admiração mútua. Garland, conhecido por seus roteiros cerebrais, evita os clichês do heroísmo fácil e foca nas escolhas difíceis. Há momentos em que a câmera de Moura parece mais uma arma do que uma ferramenta de registro — e é essa ambiguidade que dá profundidade ao roteiro.

Visualmente, Guerra Civil combina o realismo documental com uma estética sombria. A fotografia aposta em luz natural, cores desbotadas e cenas captadas em movimento, evocando o imediatismo das coberturas de guerra e aumentando o senso de urgência. A trilha sonora é discreta, quase ausente, deixando que o som dos tiros e das sirenes fale mais alto que qualquer música.

No fim, Guerra Civil não é apenas um alerta sobre os perigos da polarização política ou um estudo sobre o jornalismo em tempos de colapso. É um filme sobre testemunhar — e sobre o preço de olhar de frente para o que muitos preferem ignorar. Com um elenco afiado e direção firme, Alex Garland entrega um dos filmes mais relevantes do ano, e Wagner Moura consolida seu nome como um dos grandes atores globais da atualidade.

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Crítica de Cinema | Irmãos por Escolha

Filme simplesmente Fantástico! 

Um excelente documentário sobre o treinamento dos militares da Academia Militar das Agulhas Negras!

Por Nicholas Maciel Merlone


Dirigido por Gabriel Mattar, o documentário Irmãos por Escolha, retrata o dia-a-dia do difícil treinamento dos cadetes, aspirantes a oficiais militares da Agulhas Negras. Dentre os aprendizados, está o trabalho em equipe, o desenvolvimento da liderança e da resiliência. Há partes emocionantes quando sofrem com a distância da família, inclusive, um dos cadetes que não conhece a sobrinha que já tinha nascido há um tempo. Me chamou a atenção também os temas dos TCC's (Trabalhos de Conclusão de Curso) dos militares. Apenas alguns foram citados e, dentre esses poucos, mais de um girava em torno de Defesa Cibernética. Além disso, também a formação das mulheres e o seu treinamento. Enfim, um grande filme, que vale a pena ser visto! Nota: 9,5! Recomendo!

Irmãos por Escolha (Instagram)

www.irmaosporescolha.com

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Cadernos do Cinema - Blog Confissões | Amistad - Resenha - Netflix

 Por Olavo Caiuby Bernardes

 

Acaba de estrear na Netflix Amistad, de 1997, do Diretor Steven Spielberg (diretor de A Lista de Schindler), caso que chegou à Suprema Corte dos EUA - United States v. Schooner Amistad (1841).

O caso envolve a escuna espanhola La Amistad (“A Amizade”), que praticava o tráfico negreiro do continente africano para as colônias nas Américas, então pertencentes ao Reino da Espanha (em particular, Cuba), e que foi apreendido em costa norte-americana por sua Guarda Costeira (U.S. Coast Guard), após um levante de homens escravos originários da tribo Mende, do que seria hoje Serra Leoa, liderados por Cinque (interpretado pelo ator Djimon Hounsou).

Leia mais!

Boa leitura!

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Cadernos do Cinema - Rede Brazucah - Eventos

 Filme, Carretel, Projetor, Cinema


 Palestras virtuais debatem internacionalização do cinema   brasileiro e representação feminina na produção audiovisual a partir da Retomada

 Atividades de outubro também contemplam produção audiovisual para o público infantil, ferramentas experimentais para se produzir cinema e uma conversa a partir dos filmes “Sociedade dos Poetas Mortos” e “Entre os Muros da Escola”

Em outubro, o “Circuito virtual de palestras: cinema brasileiro – uma reflexão sobre o contemporâneo” traz mais cinco encontros gratuitos, promovidos entre os dias 28 e 29 deste mês, que convidam o público a mergulhar em diferentes temáticas relacionadas ao cinema no Brasil e no mundo. A iniciativa é destinada a estudantes, professores e demais pessoas interessadas no processo criativo do audiovisual.

Parceria da Brazucah Produções com o Centro Paula Souza, os encontros deste mês versam sobre o aspecto internacional da produção brasileira, analisa as representações da experiência escolar e da prática docente , apresenta um panorama curatorial sobre filmes infantis, reflete sobre a participação das mulheres na produção cinematográfica a partir da Retomada, além de provocar a plateia sobre novos meios tecnológicos de produção audiovisual.

Na abertura das atividades on-line no dia 28, às 10h, o diretor e roteirista colombiano Juan Zapata conduz a palestra “Cinema Brasileiro e a Internacionalização”. A proposta da mesa é ser um espaço de debate, análise e reflexão sobre a internacionalização do cinema brasileiro, tanto na base estrutural e social quanto na experiência comercial no mercado mundial.

Juan dirigiu cinco documentários para o cinema, duas séries de televisão e dois longas-metragens premiados, incluindo “Simone” (2013), prêmio de Melhor Fotografia no Los Angeles Brazilian Film Festival, em 2015, e “Another Forever”, Melhor Filme Estrangeiro no Los Angeles Independent Film Festival Awards, em 2016.

Fechando o primeiro dia de palestras às 16h , o encontro “Cultura das humanidades: obsolescência ou resistência? uma questão refletida no cinema” parte de duas produções internacionais ambientadas em sala de aula para refletir sobre a experiência escolar e a prática docente, bem como o papel da cultura das humanidades na educação. Os filmes analisados durante a conversa, mediada pelo sociólogo e doutor em Educação Robson Braga, são “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989), vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original, e “Entre os Muros da Escola”, produção francesa que faturou a Palma de Ouro em Cannes, em 2008.

Pegando carona no mês das crianças, as atividades do dia 29  serão abertas às 10h com a mesa “Cinema Infantil no Brasil”, conduzida por Luiza Lins - produtora cultural com atuação no audiovisual para a infância e há 20 anos responsável pela Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, evento que possibilita acesso gratuito ao cinema nacional e internacional para crianças. Durante a conversa, Luiza vai apresentar ao público um panorama das últimas duas décadas de audiovisual destinadas às crianças.

As atividades do dia 29 prosseguem às 14h com a palestra “Mulheres no Cinema Brasileiro”, que vai apresentar o cinema autoral feminino no Brasil, a partir da Retomada, bem como as tendências contemporâneas de filmes feitos por mulheres. A mesa será conduzida pela Luiza Lusvarghi, mestra, doutora e pós-doutora em Comunicação pela Universidade de São Paulo (ECA- USP), autora do livro “O Crime como Gênero na Ficção Audiovisual da América Latina” (2018) e coautora e coorganizadora da coletânea “Mulheres Atrás das Câmeras – as cineastas brasileiras de 1930 a 2018” e membra Associação Brasileira de Críticos de Cinema – Abraccine. 

Pipoca, Comida, Caixa, Recipiente

Encerrando os encontros de outubro, a palestra “Cinemastê: o cinema que habita em mim, saúda o cinema que habita você” traz o cineasta, poeta e historiador Wellington Darwin convidando o público a refletir sobre dispositivos móveis, sobretudo smartphones, como filmadoras e equipamentos primários de realizações cinematográficas. Com ampla carreira no cinema, Wellington teve dois longas experimentais no 15º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo e publicou o artigo "Manifesto do cinema do caos: onde o cinema é sujeito" na revista Pragmatismo Político e no portal português Super9 Mobili Film Festival.

Todas as palestras deste mês de outubro serão transmitidas ao vivo pelos canais do Youtube do Cine Autorama e do Centro Paula Souza, disponível aqui.  Para receber certificados de participação é necessário se inscrever até o início de cada encontro pelo link: https://www.even3.com.br/redebrazucah2021/.

 

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Cadernos do Cinema | Há 87 anos nascia Brigitte Bardot...

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Foto: Wikipédia

Em 28 de setembro de 1934, há 87 anos, nascia, em Paris, Brigitte Anne-Marie Bardot, atriz e cantora francesa, conhecida no mundo todo por suas iniciais BB. Após deixar o mundo do entretenimento e se distanciar da vida pública, ela se tornou ativista dos direitos dos animais. Após mais de 50 filmes e de gravar dezenas de discos, em 1977 atraiu atenção mundial para sua causa ao denunciar o massacre de bebês-foca no norte do Canadá. Em 1986, ergueu a "Fondation Brigitte-Bardot", declarada de utilidade pública pelo governo francês em 1992, e que em 1995 nomeou Dalai Lama como seu membro honorário. - Fonte: Migalhas

Dia do Cinema Nacional: Veja filmes que ajudam no vestibular

  Saiba mais ! Boa leitura!