quinta-feira, 3 de outubro de 2024

IASP | Dom Quixote e o nascimento da ideia moderna de Justiça

O evento "Admiraram-se de tão estranha forma de loucura: Dom Quixote e o nascimento da ideia moderna de Justiça", ocorreu no dia 01 de outubro de 2024, tendo sido organizado pela Comissão de Direito e Literatura do IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo). O palestrante, José Garcez Ghirardi nos brindou com uma brilhante exposição crítico-reflexiva, acerca da obra, de seu contexto histórico, bem como sob sua ótica jurídica.

Na ocasião, estiveram presentes o presidente da comissão, Ricardo Peake Braga; a vice-presidente da comissão, Marina Bevilaqua de La Touloubre; o secretário geral, Maurício Felberg e o presidente do IASP, Renato Silveira.


Braga realizou a abertura do evento, saudando a todos e afirmando, com razão, que todos aguardamos ansiosos todos os meses para a chegada dos eventos literários, recheados com palestrantes de alto nível.

A seguir, Silveira cumprimenta os membros da mesa e os presentes, tecendo comentários sobre a tradição e a modernidade do IASP. Destaca também a relevância da literatura para o Direito. Lembra que estudou na Espanha em Toledo e no bosque de pedra de Salamanca, onde há menções a Dom Quixote. Por fim, agradece à comissão e ao palestrante.

Então, Marina dá boa tarde a todos e apresenta o palestrante. Garcez é professor da FGV, na graduação e na pós-graduação. A vice-presidente, assim, relembra que, em 01 de outubro de 1946, foram encerrados os julgamentos de Nuremberg, em que, na ocasião, houve a busca pela Justiça, assim como em Dom Quixote, que buscava incansavelmente a Justiça. Sem mais delongas, passa a palavra ao palestrante.

Inicialmente, Garcez cumprimenta todos os presentes e a comissão e dá início aos trabalhos.

Explica que fará algumas provocações, para trocar ideias com os presentes. Esclarece que o que tomamos por loucura varia com o tempo. A estranha forma de loucura de Dom Quixote nos ajuda a compreender a loucura. Assim, a importância do tempo para discutir literatura. A seguir, explicita a dualidade humana, presente entre Quixote e Sancho. O primeiro, mais medieval. O segundo, mais moderno. No sentido medieval não há diferença entre o papel e o indivíduo, há um sentido moral relacionado à justiça, o cavaleiro andante da triste figura não tem desejo. Ele levanta os olhos a Deus, para saber o que fazer. Por outro lado, Sancho é a subjetividade moderna. Quixote vive num mundo encantado, sendo visto como ridículo, fanático na época. Pode-se dizer que nossa vida é maior do que nós mesmos. Sancho tem nome e sobrenome. Tem bom senso, é realista, demonstra a racionalidade moderna, vive num mundo desencantado. 


Com efeito, há, como já dito, uma dualidade entre os dois. Duas noções de ser humano opostas. O que nos leva a questionar o que significa a vida humana. Há um sentido? Existe, assim, uma dualidade interna/subjetiva e outra externa/política - corpo x espírito. Ocorre, então, uma luta entre espírito e corpo, uma tensão, sem antagonismo e ainda uma noção de justiça - procedimental x substantiva. Daí o que norteia o homem... Deus, uma coisa só! Homem e Deus. Porém, a modernidade rompe com a encarnação, através das guerras de religião. Acontece, pois, com os reis do modernismo uma ruptura entre direito e justiça, surgindo uma nova forma de ver a realidade.

Desse modo, Sancho representa a modernidade, o pragmatismo, o direito buscando a ordem procedimental, o "rule of law". Enquanto isso, Quixote representa o medieval, é ridicularizado, considerado um fracasso, tem uma forma diferente de compreender o direito e a justiça, tem um ideal de busca pela justiça. No entanto, quando morre sentimos que algo muito precioso se perdeu.

Adiante, o palestrante traz considerações sobre a pós-modernidade. Lembra da impaciência com os procedimentos, da busca pela justiça social, de problemas em juntar direito e justiça. E problematiza... Como juntar isso com as pós-verdades.

Com isso, é possível dizer: "Ser Quixote é Ser Sancho!" - ou seja, não deve haver oposição, deve haver sim um diálogo entre os dois, entre corpo e espírito. Na realidade, o ser humano como "um todo em tensão".


Falando em espírito, vale lembrar que as expressões "espírito da lei", "espírito da constituição" se relacionam com a ideia de encarnação de Cristo. Também que houve o debate entre Lutero e Erasmo, com relação à liberdade para escolher o bem. Para o primeiro, não temos essa liberdade. Já para o segundo, sim, temos essa liberdade. Até o renascimento desejo não é parte da natureza humana. Após essa época, a natureza humana passa a ter desejo.

Dessa forma, retomando, Sancho representa a subjetividade moderna; enquanto, Quixote, a subjetividade medieval. É necessário, portanto, um diálogo entre a dualidade, com duas noções de seres humanos.

Em frente, o palestrante afirma que toda a teoria jurídica moderna se baseia na "vontade", como exemplo, a vontade de contratar.

Para ele, Quixote é o anti-moderno, fazendo uma crítica social à época dos nobres.

Tratando sobre nobres (elites), há também o povo, daí outra dualidade.

Porém, caminhando ao final da exposição, reflete que Sancho e Quixote são mais que uma dualidade. Na verdade, são duas formas matriciais diferentes de compreender o ser humano. Daí a justiça procedimental e substantiva. No contexto, há uma nostalgia de tempo passado e ainda um desafio pós-moderno, com a tentativa de retomar valores. Infelizmente, para o palestrante não é possível conciliar a verdade com a justiça. E traz dois poemas... um de Ferreira Gullar e outro de Vinícius de Moraes.


Finalmente, como na obra há uma dualidade entre elites e povo, trago aqui, para encerrar, um poema de minha autoria...

Colisão do Metrô

Mar de Pedras,
Milhões de janelas,
Manhã de quarta-feira.
Ainda escuro,
Trabalhador parte ao ofício,
Com café preto na barriga vazia,
Para ganhar pão de cada dia.
Com olhos cerrados,
No ônibus segue sentado.
Mais tarde, em pé equilibrado,
É jogado de repente no chão,
Ao choque dos trens do metrô.
Ferido sem gravidade, 
É atendido pelo Samu,
Mas perde dia de trabalho…
E farinha com tutu para botar na mesa!

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Omelete | McCartney, Bruno Mars e mais: agenda de shows internacionais no Brasil em 2024

 


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Boa leitura!

Eventos | Empreendedores que estarão na 4ª edição da Boogie Week recebem mentoria na Bolsa de Valores

 


Evento dedicado à cultura preta acontece entre os dias 18 e 23 de novembro

Nesta segunda-feira (23), empreendedores selecionados para participar da 4ª edição da Boogie Week tiveram acesso a uma mentoria sobre educação financeira e investimentos na B3, a bolsa de valores no Brasil. O encontro ocorreu na sede da companhia, no centro de São Paulo.

Neste ano, a Boogie Week acontece entre os dias 18 e 23 de novembro. O evento tem o empreendedorismo como um de seus pilares, com o objetivo de fomentar negócios nas periferias, contribuir com o desenvolvimento profissional de pequenos empreendedores e incentivar novos negócios que gerem impacto social e econômico. Para Eliane Dias, idealizadora da Boogie Week e fundadora da Boogie Naipe, que realiza o evento, a parceria com a B3 mostra que é possível conectar diversos universos para democratizar a educação financeira no país e reforçar a intimidade da comunidade negra com o tema. “Esse momento é muito especial para nós, essa parceria com a B3 vem para nos ajudar a quebrar alguns paradigmas e mudar mentalidades”.

Responsável pela curadoria de negócios selecionados para a Boogie Week, Rachell Brasil acredita que a iniciativa abre portas para que os empreendedores desenvolvam suas habilidades e elevem seu potencial no mundo dos negócios. “Pensamos com muita intencionalidade esse encontro para gerar impacto não só nos empreendedores que estiveram aqui, mas que eles aumentem sua rede de contatos e impactem outras pessoas”.

Participaram do encontro mais de 20 negócios de proprietários negros que estarão no festival. “Estar aqui é a confirmação de que meu negócio está em expansão e eu estou indo bem. Me senti muito honrada com o convite”, afirma Márcia de Jesus, dona da Preta Pretin, primeira empresa de cama, banho e pijama infantil especializada em estampas diversas para incentivar a autoidentificação de crianças negras. 

Dona da Hot Dog Arco Íris, Regina Santiago estará na praça de alimentação da Boogie Week. “O meu negócio começou com hot dog, mas a cada evento eu notava que as pessoas sentiam falta do pastel caseiro e ali havia uma oportunidade. Então vai ser muito legal poder aprender mais de finanças e executar na minha vida e no meu negócio.”

“Receber empreendedores para falarmos sobre educação financeira faz parte do propósito da B3 de conduzir o desenvolvimento econômico sustentável para a sociedade brasileira prosperar. Esta parceria com a Boogie Naipe amplia a democratização do conhecimento e contribui para mostrar caminhos de como cada pessoa pode gerir o próprio dinheiro”, diz Christianne Bariquelli, superintendente de Educação na B3.

 

SOBRE A BOOGIE WEEK

A Boogie Week acontece entre os dias 18 e 23 de novembro, em São Paulo. Na programação estão o Prêmio Griô, que homenageia personalidades da cultura negra, atividades culturais com crianças, bate-papos e atrações musicais, com acessibilidade neurodivergente. Em apresentação única em São Paulo este ano, o grupo Racionais MCs é atração do evento nos dias 22 (ingressos esgotados) e 29 de novembro (data extra, com ingressos à venda)

 

SOBRE A BOOGIE NAIPE

A ideia da produtora Boogie Naipe surgiu em 2009 com Mano Brown e alguns amigos que queriam fazer a diferença e criar mais que uma marca, lançar uma tendência forte no mercado. Mais que isso, uma empresa que proporcionasse um estilo autêntico aos seus clientes. Em 2013, a CEO Eliane Dias elaborou e viabilizou a ideia de Mano Brown dando início a nova produtora responsável pelas carreiras dos Racionais Mc’s e Mano Brown (Solo). As palavras Boogie Naipe representam ter uma postura independente, “Boogie” é um estilo advindo do blues, com ritmos próprios e bem peculiares e “Naipe” significa uma pessoa com estilo totalmente original. A ideia é criar um sentimento prazeroso de se viver e agir, o de se sentir único ao compartilhar da filosofia Boogie Naipe por exemplo. O objetivo da Boogie Naipe é oferecer serviços e promover eventos e shows com artistas de qualidade e levar o estilo Boogie Naipe ao alcance de todos. Mas toda essa originalidade não pode ir em frente sem a presença de um fator muito importante: VOCÊ. Você faz com a gente o estilo da Boogie Naipe.

 

SOBRE A B3

A B3 S.A. (B3SA3) é uma das principais empresas de infraestrutura de mercado financeiro do mundo e uma das maiores em valor de mercado, entre as líderes globais do setor de bolsas. Conecta, desenvolve e viabiliza o mercado financeiro e de capitais e, junto com os clientes e a sociedade, potencializa o crescimento do Brasil. Atua nos ambientes de bolsa e de balcão, além de oferecer produtos e serviços para a cadeia de financiamento. Com sede em São Paulo e escritórios em Chicago, Londres, Singapura e Xangai, desempenha funções importantes no mercado pela promoção de melhores práticas em governança corporativa, gestão de riscos e sustentabilidade.

sábado, 21 de setembro de 2024

IASP | Direito Imobiliário, Herança e o Papel da Mulher na obra de Jane Austen

No dia 5 de setembro de 2024, a Comissão de Direito e Literatura do IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo), promoveu o fantástico evento: Direito Imobiliário, Herança e o Papel da Mulher na obra de Jane Austen - sob regência da palestrante Marina Bevilacqua de La Touloubre.


Inicialmente, o presidente da Comissão, Ricardo Braga, deu as boas vindas e informou que, em 01 de outubro, a obra sob análise será Dom Quixote e que, em novembro, O Processo, de Kafka. Braga também disse que a palestrante possui ampla bagagem jurídica e literária, o que, de fato, se verifica ao longo da palestra.

Marina inicia sua exposição, dizendo sobre a necessária busca de um olhar jurídico focado na literatura, de um viés jurídico literário. Para tanto, cita Fernando Pessoa:


Compara, assim, os versos poéticos a princípios jurídicos, como boa-fé, proporcionalidade, o que leva a ideia de grandeza, transparência, confiança mútua. E frisa que literatura e direito estão mais próximos do que nunca.

Então, parte para Jane Austen, que, segundo Marina, se trata de uma das maiores vozes da literatura inglesa. Ressalta, de início, que as obras da autora foram publicadas anonimamente, tais como Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade. Destaca também que suas obras foram traduzidas para mais de 40 idiomas, tendo sido adaptadas para cinema, palcos e paródias. E esclarece que se trata de uma literatura para prazer.



Jane Austen nasceu em 1775, no Reino Unido, e faleceu em 1817, também no Reino Unido. Seu primeiro romance foi publicado quando tinha 35 anos, além de ter tido várias obras publicadas postumamente.

Com efeito, os romances na época eram considerados "subcategorias", não sendo possível sobreviver com eles. Por isso, um irmão sustentava Jane Austen.


A palestrante, assim, aborda a obra Orgulho e Preconceito, que se trata de uma crítica à sociedade da época. As histórias narradas muito se assemelham à realidade. O núcleo central do livro se concentra na "Fortuna", que pode ser vista tanto como "sorte", como também "patrimônio". Na história, a família Bennet era composta um pai e 5 filhas. Havia a iminência de as mulheres ficarem sem teto, por não poderem herdar o patrimônio. Isto porque as mulheres precisavam casar com um bom marido para se manter.


Neste ponto, destaca-se a entrada do Direito, pois as mulheres na época não podiam herdar os bens. Jane Austen traz à tona, então, um "drama dramático", já que as moças estão na iminência de perder o patrimônio.

Na verdade, na realidade de então, até era possível herdarem, porém era muito difícil. Aqui a palestrante lembra que o direito à propriedade e sucessão vem desde o Código de Hamurabi e que com os adventos das Constituições se tornou um direito fundamental, assumindo um importante papel democrático e se desenvolvendo ao longo da história. Não custa lembrar também que há origens no Império Romano (Civil Law) e que, por outro lado, no Common Law existem institutos que não se encontram no Civil Law. Com razão, até hoje na Inglaterra os imóveis são de titularidade da Coroa. A palestrante, a seguir, faz algumas considerações sobre a propriedade na Idade Média, lembrando que o Rei concedia as terras, numa relação de suserania e vassalagem.


Na obra em pauta, Mr. Bennet tinha 5 filhas, não tendo filhos homens e, portanto, não tendo para quem deixar seu patrimônio. Com isso, na falta de herdeiro, o patrimônio vai para um primo distante (Mr. Collins), que fala que quer casar com uma das filhas. 

No contexto, é possível visualizar o planejamento patrimonial e sucessório na obra, trazendo elementos como inalienabilidade e incomunicabilidade. Além disso, o casamento era visto como um outro meio de acesso à herança. Desse modo, os rapazes também buscavam casamentos, não só as moças. Assim, a palestrante traz o Marriage Act of 1753, que regia tais relações na época. Então, Mr. Darcy e Elizabeth se casam. 


Jane Austen igualmente traz vilões peculiares, girando em torno de propriedades e fortunas.

Finalmente, a palestrante frisa, depois, que é realmente importante uma análise multidisciplinar, para se viajar no espaço e no tempo, ampliando os horizontes do direito, inclusive, no próprio direito comparado. Dessa maneira, destaca ser possível visualizar a matéria Law and Economics nas obras de Jane Austen. E ainda que seus personagens possuem uma grande riqueza, sendo próximos da realidade.

Exposição Heróis DC

De 20/06 a 22/09

Inicialmente, devo agradecer ao Kauê! Antes de ingressar na exposição, batemos um papão sobre os super-heróis, principalmente, sobre o Batman. Ele me entregou o ingresso e, então, mergulhei no mundo mágico dos Heróis DC.

Prepare-se para uma jornada única pelo mundo dos super-heróis! A tão esperada Exposição Heróis DC está prestes a desembarcar em São Paulo, prometendo surpreender e encantar fãs de todas as idades. A partir do dia 20 de junho, o MorumbiShopping se transformará em um verdadeiro santuário para os amantes dos icônicos personagens da DC Comics. 


Com uma área de 1.500 metros quadrados especialmente preparada, esta exposição é mais do que apenas uma mostra de arte — é uma imersão total no universo dos super-heróis e supervilões mais queridos de todos os tempos. 


Desde os clássicos da Liga da Justiça, como Superman, Batman e Mulher-Maravilha, até os favoritos dos fãs brasileiros, como os Jovens Titãs e o Coringa, cada canto desta exposição foi meticulosamente elaborado para transportar os visitantes para o coração da ação. Prepare-se para explorar 18 salas repletas de itens originais, réplicas e ambientes imersivos, tudo montado com tecnologia de ponta. 


Desde projeções mapeadas até hologramas e som 5.1, cada experiência promete ser excepcionalmente emocionante. Os fãs terão a oportunidade de caminhar por Metrópolis, visitar a Batcaverna, entrar na Fortaleza da Solidão e até mesmo explorar Gotham e o Covil do Coringa, uma aventura completa! 

Mais de cem itens de colecionador estarão em exposição, incluindo raridades como uma reedição de Action Comics #1 autografada por Jerry Siegel, cocriador do Superman, e obras de arte originais de Alex Ross. Apresentada pelo Ministério da Cultura e Bradesco, com patrocínio de Sem Parar e apoio do MorumbiShopping, esta é uma oportunidade única para vivenciar o universo DC como nunca antes.


Os ingressos já estão disponíveis para venda presencial no MorumbiShopping com bilheteria no Atrium (Piso Térreo) e online no link abaixo. Não perca a chance de fazer parte desta aventura épica e criar memórias inesquecíveis com sua família e amigos. A Exposição Heróis DC estará aberta de 20 de junho a 22 de setembro, das 10h às 22h. Venha se juntar aos heróis e mergulhar em um mundo de fantasia e emoção! 

Classificação: Livre

Fonte: MorumbiShopping.










Dia do Cinema Nacional: Veja filmes que ajudam no vestibular

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