sábado, 3 de agosto de 2024

4 dicas para organizar metas de leitura alcançáveis

Veja como alguns hábitos podem ajudar a inserir mais livros na sua rotina

Por Portal Edicase


Publicado em 30 de julho de 2024 às 16:37

Estabelecer o hábito da leitura é fundamental para a saúde cognitiva e amplia a capacidade criativa


Segundo uma pesquisa do site Os Melhores Livros (OML), 30,9% dos participantes desejam ler mais de 20 livros em 2024. No entanto, 31,8% dos entrevistados apontam a falta de tempo como o principal obstáculo para alcançar essa meta.


Independentemente do gênero, a leitura estimula o cérebro e é benéfica para a saúde mental. Um estudo da Universidade de Sussex revelou que ler pode reduzir os níveis de estresse em até 68%. Além disso, esse hábito melhora a escrita, amplia o vocabulário, desenvolve a criatividade e fomenta o senso crítico individual.

Pensando nisso, André Palme, diretor de conteúdo e marketing do Skeelo (ecossistema de livros e leitura) lista algumas dicas práticas para os leitores organizarem suas metas de leitura. Confira!


1. Defina metas reais


Estabelecer metas alcançáveis dentro de cada realidade é essencial para garantir o cumprimento do objetivo, seja escolhendo a quantidade de livros por mês ou o número de páginas que serão lidas por dia. “Além disso, também é importante definir prioridades na lista de leituras e as revisitar de tempos em tempos para ter certeza de que ainda se adequam às necessidades de cada leitor”, explica.


2. Defina um tempo para leitura


Reservar um tempo específico para dedicar à leitura é um fator determinante para transformar um hábito diário e facilitar o cumprimento das metas. Ter um horário fixo ajuda a incorporar a prática como parte da rotina. “Para os iniciantes do mundo da literatura, uma boa estratégia é ir aumentando o tempo gradativamente de forma que não fique cansativo e o leitor consiga ir aumentando a concentração”, reforça.

Compreender o seu gênero de livro favorito é uma das estratégias para não abandonar a leitura

3. Descubra o seu gênero favorito


Entender o perfil dos livros que estão na lista é necessário para não abandonar a leitura inacabada por falta de identificação com o estilo literário. Alternar entre diferentes gêneros pode ajudar o leitor a descobrir qual o seu preferido e que mais atrai sua atenção, além de contribuir para manter a prática interessante e evitar o tédio.



4. Participe de clubes de leitura


Juntar-se a um grupo de leitura pode proporcionar motivação extra e um senso de comunidade. “Discutir os livros com outras pessoas pode enriquecer a experiência de leitura , além de contribuir para o conhecimento de novos títulos, autores e gêneros literários”, reforça o executivo.


Por Pérola Rodrigues


Fonte: Jornal Correio.

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Dr. T, Sr. N, Sra. X, a Humanidade e o direito

Por Nicholas Maciel Merlone

Três amigos discutem sobre a importância do direito e do papel dos operadores do direito nessas relações.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Atualizado às 12:07


Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça... É ela... É ela! Doce menina, mulher... professora e advogada, que a todos encanta, fascina e intimida, com seu doce balanço, sutil gingado e inteligência e humor imensuráveis. Enfeitiça e por sua magia prende e aprisiona os dois amigos, que a observam chegando ao bar, com sua entrada magistral. Unhas das mãos e dos pés, francesinhas. Tornozeleira fina e discreta. Pequena tatuagem em forma de estrela em um dos pés. Cabelos longos, soltos e castanhos. Pele dourada, com marquinha de biquíni. Vestido vermelho, dama de vermelho, com licença para matar. Áurea e espírito a engajar!

Dr. T e Sr. N não a viam há anos. Muito tempo havia passado, desde a última vez que a viram. Realmente, desde os tempos do mestrado (2012 a 2014). Tinham boas lembranças. Os três estudavam juntos para as provas. Frequentavam o saudoso Bar Roda-Viva, na Vila Madalena, onde se tocava Chico e todos tomavam cerveja de engradado em copo de boteco, junto com porção de macaxeira. Frequentavam também o Jazz Nos Fundos, também na Vila Madalena, onde escutavam os sons que tocavam as almas e enalteciam o espírito, tomavam uísque cowboy e fumavam charutos.

Na verdade, os dois amigos eram perdidamente apaixonados pela moça. Mas ela não dava mole. Pra nenhum dos dois. Era uma disputa saudável. Mas ela não queria nem saber. Havia uma grande amizade, um forte elo entre os três.

Sentados, hoje, de frente para o balcão do bar, tomam suco temperado de tomate. Lembram dos tempos passados. Conversam sobre séries, filmes e livros, sem deixar de tocar no direito.

Mas o que chama a atenção é a mudança de comportamento, que afeta os jovens de hoje. Quando estavam no início do mestrado, havia Facebook e Twitter, mas mal se ouvia falar em Instagram, WhatsApp, ou ainda, muito menos, TikTok ou Snapchat.

Entre goles e baforadas... refletem sobre a Humanidade.

Hoje, dois irmãos na mesma casa, em quartos diferentes, conversam por mensagens de celular, sem ir ao encontro um do outro. Uma garota de 30 anos, sim, garota, e não uma legítima balzaquiana, após num encontro conversar por horas com um rapaz cara a cara, diz que ele não é confiável por não ter um perfil no Instagram. Ora! É quase uma religião, uma questão de fé! E aliás! Qualquer um pode postar o que quiser nas redes sociais. Há até quem poste vídeos e converse com seus seguidores, que, na realidade, não existem! Loucura! Também há jogos em que se criam animais de estimação virtuais, preferindo-os no lugar de um companheiro canino de carne e osso. Há ainda uma disputa por seguidores, em alguns casos, tendo milhões deles, sem, no entanto, ter quase amigos na vida real. É live para cá... tuíte para lá! Metaverso! E se esquece das boas e enriquecedoras relações pessoais e reais! Loucura pura mesmo! Aonde vamos parar?! Para aonde caminha a Humanidade?!

Os três amigos, então, discutem sobre a importância do direito e do papel dos operadores do direito nessas relações. O direito deve regulá-las. Evitar abusos, fraudes e crimes. Ter um caráter preventivo e também repressivo. Mas, mais que isso, um caráter pedagógico. Orientar as condutas. Guiar os passos. Possui, portanto, uma função social. Um relevante papel a ser desempenhado, para a convivência em sociedade e o bem-estar social.

Entre goles e petiscos filosofam...

Tudo isso não significa ficar para trás, no passado. Desatualizados. Peças de museu. Não. Pelo contrário, é possível, esperamos, manejar e conduzir bem as relações virtuais e presenciais. O cenário é um pouco obscuro, mas é preciso, apesar de tudo, termos esperança. Vermos o copo meio cheio. Sermos otimistas racionais e não pessimistas amargos. Assim como tudo na vida... Mas, mesmo assim, não escondemos, o que vem pela frente, nos preocupa. E nos perguntamos: Será que somos os únicos?! Na realidade, não somos os únicos. Mas cremos, aparentemente, que somos poucos! Hoje, diante das mudanças cada vez mais aceleradas, parece-nos que há apenas duas alternativas. Ou se está na rede. Ou não se está. É preciso, pois, escolher! O que vai ser!?

A tarde de domingo avança e os três amigos conversam mais, bebem mais, comem mais, observando uma partida de xadrez disputada por dois jovens, numa mesa, num grande tabuleiro empoeirado, aos goles de guaraná e coca-cola e beliscos de batatas fritas com maionese. Enquanto isso, o Timão vence o Peixe por 2 a zero, no Itaquerão!

Sr. N, muito prazer, Dr. T

Por Nicholas Maciel Merlone

Num bar na Avenida Paulista...

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Atualizado em 10 de novembro de 2021 07:37


Num bar na Avenida Paulista, no Paraíso, num sábado à noite, numa esquina movimentada da Rua Manoel da Nóbrega, dois Hermanos trocam ideias, filosofam regados à cerveja sobre os rabos de saias, entre baforadas de charutos, conversam sobre política, economia, negócios, literatura, cinema, e acompanham os doces balanços dos gingados dos sambas, que desfilam pela luz da passarela. Não se viam há tempos. Tinham estudado juntos durante o mestrado em direito político e econômico no Mackenzie, idos de 2012 a 2014.

Fazia realmente tempo que não se viam. Terminada a pós-graduação, cada um seguiu seu rumo. Um foi lecionar. Outro foi advogar. Um caia na noite. Outro se casou e teve filhos. Mas, eram amigos próximos e a amizade, com certeza, não acabou com o passar dos anos. Desta vez, quando se reuniram novamente, era como se tivessem se reunido ontem mesmo e o papo simplesmente fluía.

- Saudações mackenzistas! - disseram os dois Brothers, ao mesmo tempo, se abraçando.

- Sr. N!, quanto tempo, meu amigo!

- Dr. T!, digo o mesmo, meu querido!

- E os bambis?!                                                           

- É, pois é, não tão bem quanto os gaviões!

- Ceni, sem dúvida, um grande jogador! Já como técnico...

- Zetti também foi um grande ídolo. Mais tranquilo...

- Voltando no tempo, lembro do Raí e de seu irmão Sócrates.

- Raí... Um ótimo jogador em campo e no campo com as mulheres. Um legítimo são paulino!

- Sim! Tem razão! Já o irmão mais velho, Sócrates, um verdadeiro craque e democrata! Um legítimo timoneiro!

- Com certeza, sem falar que, certa vez, na concentração da seleção, lia um livro deitado na cama, o que causou surpresa e estranhamento ao colega de quarto quando o avistou, imerso na leitura.

- Sim... sim... Tem razão!

Eis que pela frente dos dois amigos... um doce balanço, um doce gingado, um doce feitiço, pura magia!

O assunto então se volta a elas! Mulheres e filmes...

- Lembro de Penélope Cruz, em "Volver", de Almodóvar, uma bela fotografia panorâmica da moça lavando louças, com os seios à mostra e em movimento! - diz um dos amigos.

- Verdade! - concorda o outro e recorda - Maria Flor, em "Dois Irmãos" - excelente performance no ato da cena!

A seguir, voltam aos tempos de faculdade, quando ainda não se conheciam, para compartilhar informações quentes da época.

Sr. N diz:

- Estagiei na Defensoria Pública na área de Direito de Família. Só barraco. Mulher querendo sacanear o marido. Marido querendo sacanear esposa. Causas legítimas. Sem falar quando o assistido caminhava horas, sem dinheiro para transporte, para chegar e ser convidado a voltar num outro dia, já que nada podia ser feito no momento. Lamentava muito na ocasião não poder oferecer um tratamento melhor e mais digno àquelas pessoas. Mas lembro do trabalho empenhado e dedicado de algumas amigas defensoras, que tinham e defendiam um ideal, uma busca constante por justiça social. Aliás, tive uma chefe gata, inteligente e que tornava o ambiente mais leve. Carinhosamente, me apelidava por "Nikolai". Também muito paciente, pois, certa vez, com confiança demais, abordei-a com um poema, que resultou num educado e sutil esporro e um delicado chute na bunda...

Dr. T afirma:

- Bacana! Eu, por outro lado, estagiei no Ministério Público. Pude conviver com amigas estagiárias e amigos estagiários fantásticos! Conversávamos bastante! Trocávamos várias ideias não só sobre direito, mas também cinema e literatura. Tínhamos pequenos intervalos, quando sentados à uma mesa de um bar, tomávamos guaraná com café e conversávamos sobre aqueles temas e também sobre futebol e teatro. Sem falar de música... escutávamos Legião Urbana e cantávamos no Karaokê juntos em alto e bom som, às sextas-feiras após o expediente, regados à breja e porções de fritas com maionese temperada. Para minha sorte, tive um chefe muito gente boa! Corrigia o português das petições. Emprestava e sugeria livros. Oferecia o espaço de trabalho para estudarmos para as provas da faculdade. Dava conselhos e sugestões. Organizou um evento sobre Justiça, Ministério Público e Direito Digital, quando ainda os processos eram impressos e encostávamos o umbigo no balcão do cartório para fazer os andamentos. Um verdadeiro, acima de tudo, ser humano e também promotor de justiça! Não um simples promotor de acusação!

- Mudando de assunto. Tem visto algum filme bom? - pergunta Sr. N.

- Na verdade, lembrava esses dias de filmes das antigas. - responde Dr. T.

- Quais? - indaga Sr. N.

- Lembrava de American Pie e, antes ainda, de Porky's - A casa do amor e do riso. - diz Dr. T.

- Sim... sim! Desenterrou! O primeiro anos 90 e o segundo anos 80. - prossegue Sr. N.

- Excelentes filmes! - afirma Dr. T.

E os dois amigos lembram às gargalhadas das estórias dos filmes. Aliás, Kim Cattrall, famosa pela personagem Samantha em Sexy and the City, antes, atuou não só em Loucademia de Polícia, como também no próprio Porky's, aos uivos em cena épica, verdadeira loba, hoje em dia.

- Ah! À propósito, temos eleições para a Oab sp agora em novembro. - lembra Dr. T.

- È vero! - concorda Sr. N.

E os dois amigos concordam nesse aspecto. Os dois votarão na chapa da oposição. Patrícia Vanzolini e Leonardo Sica são os cabeças da chapa. Os dois, advogados criminalistas. Uma pequena grande mulher como presidente. Para representar nós advogados à frente. Não atrás, nem ao lado. Mas, sim, à frente. Uma profissional competente. Já Leonardo Sica, por sua vez, foi um notável presidente da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), com uma gestão eficiente e marcante, preocupado com o bem-estar dos associados, providenciando e disponibilizando todo o suporte necessário para a advocacia.

Finalmente, a hora voa. Os dois Hermanos não veem a hora passar. Não se dão conta do tempo. Quando olham o relógio, já havia passado horas. A madrugada já chegava de repente. Cogitam, assim, emendar no boteco uma ida a um pub da região. E, de fato, a noite lhes convidava a mergulhar em seu sutiã. Não puderam recusar tal honroso convite! E assim seguem a caminhada...

Já no dia seguinte, pela manhã...

Um deles decidi ir à Igreja. Levanta, toma café, se veste e vai à missa. Uma bela missa, sim. As altas abóbodas preenchidas pelo som imponente, forte, pulsante e alto do órgão (piano) tocado, bem como os cantos gregorianos dos religiosos, causam impacto nos fiéis, que acompanham o ritual atentos.

Esperava ouvir mensagens sensatas que lhe trouxesse amparo espiritual. Porém, o que restou foram lorotas e groselhas, reflexões sobre ser Santo. Que todos deveríamos querer ser Santos. Que Santos também pecam, mas devem querer se tornar Santos, buscar o perdão. Ora! Não somos Jesus! Ninguém é Jesus! Jesus é muito ocupado com causas nobres! Quem me dera querer ser Santo. Quem sou eu para ser Santo? Quem somos nós para querer ser Santos? Não somos Padre Pio, Frei Galvão, ou Madre Teresa de Calcutá. Tentemos, sim, fazer o bem sem ver a quem e isso não tem nada a ver com querer ser Santo. Aliás, antes de aceitarmos tudo goela abaixo, devemos, sim, refletir se queremos ser ovelhas por vocação. Rebanhos guiados com a rédea presa. Ou termos liberdade, Fé e razão - uma Fé racional razoável. Não apenas Fé burra!

Por fim, por outro lado, tem apenas outra coisa... É sabido que altas autoridades eclesiásticas gastam verdadeiras fortunas com advogados para certos religiosos que frequentam, dentre outros locais, saunas gays e participam de certas festinhas reservadas - mas nada contra quanto a isso, o importante afinal é ser feliz. Todavia, aí pior e abominável. Há alguns que se insinuam a jovens, algumas vezes, quando sozinhos em confissão, ou ainda pior, em situações delicadas e de fragilidade. E agora José? Ou seria, Jesus... 

Dr T. - As Origens II

Por Nicholas Maciel Merlone

Hoje, numa busca sem fim, busco compreender com gosto a organização e o funcionamento do Estado, com suas estruturas e engrenagens. Com suas singularidades, peculiaridades, sutilezas e circunstâncias.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Atualizado em 10 de novembro de 2021 10:15


Idos de 1991 a 2002. Voltemos novamente no tempo, agora mais. Na época, Dr. T também ainda, simplesmente, T. No túnel do tempo, morava em um prédio distante do Colégio onde estudava. O pimpolho, eu, ia de cabelos tijelinha, botinhas ortopédicas, calças curtas, uniforme do colégio e lancheira do Rambo. Na ocasião, morava longe do Colégio. 

Todas as manhãs, eu partia com meu pai e com meu irmão rumo à escola de carro. Ouvíamos no trajeto os clássicos da rádio Cultura, dentre eles, Mozart e Beethoven, a celebração do dia com Cyro del Nero e pequenas histórias de Borges, dentre outros programas. Sem contar do gosto pelo Jazz que nosso pai nos incutiu. Nosso pai nos deixava no Colégio e ia trabalhar duro, horas por dia, às vezes, varando noites e tendo de viajar para plataformas de petróleo distantes, para manter o sustento da casa. 

Quando nossa mãe nos buscava ao término das aulas, voltávamos ouvindo as rádios CBN ou Eldorado, notícias do dia, da política e da economia, e do tempo com Josélia Pegorim, ou ainda, notícias sobre o trânsito caótico de Sampa City, tendo uma vez ligado para a rádio para informar sobre o trânsito da av. Nove de Julho, a pedido do meu irmão e meu.

Na piscina do prédio, todos os amigos nos chamavam para brincar. Mas, preferia ler a revista National Geographic, em inglês, pois não havia ainda em português. Lia com meu pai, que havia feito a assinatura. Meu pai ainda fez pipas fantásticas e, com ele, empinávamos em fins de semana. Recordo também do nosso primeiro guaraná que tomamos juntos em um bar. Hoje, por sua vez, em nossas caminhadas juntos pelo bairro, para recolher, em estabelecimentos, notas fiscais que doa para um hospital de crianças com câncer, religiosamente, comemos em um boteco torresmos e tomamos coca-cola, conversando.

Nossa mãe, engenheira tendo trabalhado em empresas, dava aulas particulares de matemática, para vários alunos, para complementar a renda. Com ela, aprendi a gostar de futebol, a torcer pelo Corinthians, a pegar ondas nas praias, jogar totó, ping pong, e o gosto pelos estudos, assim como pelo samba e mpb.

Visitávamos nossa família no Rio de Janeiro, principalmente, aos finais dos anos, no Natal e Ano Novo. Meu avô paterno tinha uma grande biblioteca (que ainda está lá), o que, certamente, despertava o nosso gosto pelo saber e, com isso, para a escrita.

Minha avó paterna também incentivava e incentiva até hoje o gosto pela leitura e pelos estudos e pela busca do conhecimento, quando conversamos, todos os domingos por telefone.  E ainda... quando completei 14 anos, me presenteou com uma assinatura da revista Playboy (o primeiro exemplar que ganhei, edição comemorativa de agosto (aniversário da revista), de Maitê Proença, em pelo, em uma vila na Itália). Meus hormônios agradecem até hoje. Inclusive, tenho as lembranças de horas no banheiro, com minha mãe batendo à porta, quando ainda não havia Porn Tube, Red Tube e equivalentes...

Tenho guardado até hoje alguns exemplares da épica revista. Na verdade, gostava muito dos romances policiais e eróticos que eram publicados na Playboy. Gostava também das entrevistas e de outras reportagens. Com o tempo, digo que passei a comprar a revista pelo conteúdo das matérias e não apenas pelas fotos, que podiam ser facilmente acessadas pela internet.

Com meus pais, aprendi a tomar gosto pelas leituras e pelos estudos. Nossos pais foram verdadeiros heróis. Preocupados, acima de tudo, com o bem-estar de meu irmão e o meu. Fizeram tudo o que estava ao alcance deles para nos dar educação de qualidade, saúde e, sobretudo, amor.

Realmente, não eram perfeitos, como ninguém. Mas, mesmo com defeitos, tinham virtudes maiores. Minha mãe, quando pequeno, me incentivava a aprender matemática por um jogo de computador, quando nem se falava e nem se imaginava em gameficação. 

Me ensinou a importância da religião e de crer em Deus. Dava aulas de catequese e servia eucaristia a senhoras no hospital. Meu pai sempre ia às missas com minha mãe e com meu irmão e eu, e a levava a todos os hospitais para servir a hóstia, sem deixar de leva-la a outros eventos religiosos ou outros não religiosos.

Minha mãe tinha um coração enorme, era uma pessoa pura, com muito amor, o que, infelizmente, dava brechas para algumas pessoas mal-intencionadas. Mas isto não vem ao caso no momento. Para nossa profunda dor, faleceu em 2018.

Meu pai, hoje, segue em frente, em sua trajetória. Todos os domingos à noite fazemos uma oração em família (meu pai, meu irmão e eu) e oramos por nossa mãe, por nós e pela família e, ainda, por um país melhor, mais justo, menos desigual, apesar de todas as dificuldades.

Com meu irmão, brincávamos de Comandos em Ação e congelávamos os bonecos dos Cavaleiros do Zodíaco, para desespero da mamma. Também jogávamos futebol e vídeo-game juntos. Aliás, na época, éramos os únicos do prédio onde morávamos que tínhamos um mega-drive, como lembra um grande amigo da época que mantenho até hoje e sou padrinho de seu filho. E, assim, nossos amigos chegavam a fazer fila no térreo, para quando um perdia outro subia ao apartamento e jogávamos o jogo da Besta.

Também nessa época, no prédio, aprendi a jogar xadrez com um grande amigo, que, hoje mora na Alemanha com a esposa, mas ainda mantemos contato e jogamos partidas online à distância.

Finalmente, naquela época, meu irmão e eu dávamos já os primeiros passos no Empreendedorismo. Fabricávamos e vendíamos geladinhos, com a ajuda de nossa avó materna, para os amigos do prédio, inspirados em filmes, onde as crianças vendiam limonadas na frente de casa.

No Colégio Dante Alighieri, assim como todos os amigos e amigas, começávamos a nos tornar pioneiros. As sementes de todos começavam a brotar. Tenho boas lembranças e recordações dos tempos de Dante.

Com os amigos, nos intervalos, descíamos correndo as escadarias para pegar na biblioteca os últimos exemplares da Bruxa Onilda ou da Coleção Salve-se Quem Puder. Jogávamos Sin City 2000 no laboratório de informática.

Aliás, nas aulas de computação, aprendíamos as primeiras noções de programação com um jogo de uma tartaruga - programávamos seus movimentos e ações.

Por outro lado, também nossos amigos nos atiravam bolinhas de papel, gizes, nos colocavam no lixo ou pendurados nos cabides. Mas, nos jogos olímpicos, deixávamos de lado as diferenças e jogávamos juntos para vencer, apesar de levar frangos homéricos como goleiro.

Sim, sofríamos bullying quando nem se falava nessa expressão. Olhando para trás, posso dizer que faz parte do aprendizado e da vivência. Só não podem ser cometidos excessos. Caso isso ocorra, é preciso procurar o auxílio imediato dos professores, para intermediar as questões.

Tenho boas recordações deste tempo. Lembro que na pré-escola uma amiga me pediu em namoro por intermédio de outra amiga. Por vergonha, e com frio na barriga, não aceitei, apesar de querer. Na oitava série aos 14 anos, tive minha primeira grande paixão platônica, não correspondida. Lembro que na época passava a novela Suave Veneno, com um romance entre Rodrigo Santoro e Luana Piovani, que mexia com meu pequeno coração. Além disso, era época do Napster e, assim, baixava a música Sozinho de Caetano Veloso e ouvia sem cessar no repeat a noite toda, madrugada adentro. Enfim, superado isso, numa festa de 15 anos, por outro lado, tirei uma garota para dançar e, no baile, passei a bailar com a garota e trocar carícias. Na época do vestibular, por fim, no cursinho, matava algumas aulas, para jogar xadrez com uma grande amiga.

Recordo também com muito carinho das professoras e dos professores que tive. Certamente, todos marcaram minha pessoa e minha trajetória. Na sexta série, tive um grande professor de Geografia, que nos fez refletir as condições e a realidade de nosso país. Na oitava série, em 1999, tive uma professora de Literatura, que quando o Timão perdia para o Palmeiras na Libertadores, me mostrava na lousa o poema, dizendo: "Nicholas, veja só... Minha terra tem Palmeiras onde canta o sabiá...". No Ensino Médio, tive outras professoras de Literatura, que me fizeram tomar gosto de vez pela leitura e pelos poemas. Uma delas, em referência a Macunaíma, dizia: "Nicholas, o que Macunaíma quis dizer com brincar com as índias...". Outra maestra lia e recitava poemas com o coração, inspirando a todos nós. Quanto à matemática, lembro com muito carinho das listas quilométricas que a mestra nos passava... Por fim, tive uma grande professora com quem trocava várias ideias, refletia sobre a vida e sobre literatura e sobre o ensino e sobre as pessoas, enfim, sobre os movimentos de vanguarda e estádios de futebol lotados, porém vazios...

No terceiro ano do Ensino Médio cursei a área de Exatas. Pretendia prestar vestibular para engenharia de telecomunicações, cheguei a visitar faculdades de engenharia. Mas, em tempo, percebi que seria melhor prestar Direito. Apesar de gostar de números e me sair bem nas matérias de Exatas, tinha mais afinidades com as Humanas.

Assim, dava os primeiros passos a me tornar um engenheiro do Direito. Hoje, numa busca sem fim, busco compreender com gosto a organização e o funcionamento do Estado, com suas estruturas e engrenagens. Com suas singularidades, peculiaridades, sutilezas e circunstâncias. Sim, um engenheiro... só que do Direito!

Olhando para trás, vejo que também não era Santo. Enchia o saco e pentelhava vários amigos. Hoje, se pudesse, daria um forte abraço fraterno em cada um deles. Do Dante Alighieri formei minhas bases de relacionamentos, amizades e conhecimentos.

Daí ser possível ingressar numa boa faculdade de direito. Um professor da PUC/SP, de direito penal, delegado, dizia: "Nicholas, domine a base e pare de voar!". Michael Jordan também já dizia em sua obra: "Back to the base!" - Ou seja, "domine a base!".

Enfim, do Dante saí com uma boa base sólida de conhecimentos, que carrego até hoje! Na PUC/SP, mesmo na época não dando atenção tanto às matérias técnicas, me aprofundei em matérias filosóficas, o que, hoje, vejo ser de grande valia na advocacia e na academia.

No dia-a-dia pessoal, profissional e acadêmico, procuro fazer o bem sem ver a quem. Não custa nada tratar a bem as pessoas. Lembro de colegas autoritários, bravos que esbravejam com funcionários nos cartórios. Ora, em tempos de processos físicos, não custa nada o servidor derrubar sem querer o processo para trás do armário. Tratar bem as pessoas não tem preço e, pelo contrário, como já dizem: gentileza gera gentileza! Na vida e no direito, portanto, fazer o bem! Buscar e perseguir o bem!

E para fazer o bem não é preciso ter uma religião! É importante crer em Deus! No Dante fiz catequese, depois fui crismado na Igreja Nossa Senhora do Brasil, e na PUC/SP cursei a disciplina Introdução ao Pensamento Teológico. Meu irmão, na PUC/SP, em engenharia, também cursou a disciplina e, em uma universidade católica, estudou sobre o Budismo e outras religiões. As religiões, por caminhos diferentes, buscam levar ao mesmo destino. Fazer o bem e ter amparo espiritual.

Dr. T - As Origens!

Por Nicholas Maciel Merlone

Trabalho braçal também faz parte!

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Atualizado em 10 de novembro de 2021 10:21


Fevereiro de 2004. Gloriosa Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Dr. T, na ocasião, simplesmente, T., o jovem calouro desajeitado e tímido, ingressa num universo paralelo, totalmente diferente do que estava habituado.

Tinha acabado de passar no vestibular. Fui admitido no curso da Faculdade de Direito da PUC/SP. Um novo ambiente. Escadarias, rampas, prainhas, piscina no último andar e... sim! Muitos umbiguinhos e sainhas à mostra. O que, certamente, mexeu com meus hormônios reprimidos, levando-os à tona, ao ponto de explodirem de pura emoção e alegria.

Jogava xadrez no Centro Acadêmico de Psicologia, nas aulas vagas. Escrevia e começava a me posicionar nos jornais da universidade, causando furor e causando, com posições polêmicas. Escrevia também minhas primeiras poesias, incomodando a todos e a todas, sempre procurando melhorá-las. Além disso, começava a frequentar a Casa das Rosas, curso Rascunhos Poéticos, aos sábados e a suntuosa biblioteca da Fiesp, na avenida Paulista, que, infelizmente, foi depois desativada.

Fui também capturado pelo mágico piano, na biblioteca, tocado por uma jovem veterana, com a qual fiz passeios, um deles num fim de semana ensolarado pela Sala São Paulo.

Algumas manhãs de sol matava aulas, para frequentar parques, onde lia o Valor Econômico, assinatura do jornal adquirida de graça, por me aventurar no simulador da Bolsa de Valores da Folha de S. Paulo.

Comecei, enfim, a me inteirar da localização precisa dos livros na biblioteca. Não os de direito, para os quais, na época, não dava muita atenção, confesso, exceto os das disciplinas propedêuticas.

Fiz amizade com um vendedor de livros de um pequeno sebo, localizado no Centro Acadêmico da Faculdade de Letras. O rapaz guardava e separava os livros para quando eu tivesse dinheiro suficiente para pagá-los.

Dois livros marcantes foram adquiridos. Os dois de Vinícius de Moraes. Um de sua obra completa, em capa dura verde, com papéis de bíblia, da editora Nova Aguilar. Outro, pequenino, de poesias das mulheres e os signos. Guardo os dois até hoje em meu banker (quarto com livros empilhados).

Me interessava, sim, de verdade, pelos de literatura. Sabia de cor onde encontrar os de Bandeira, Drummond, Clarice, Rubem Fonseca, Garcia-Roza, Garcia Marquez, Pedro Juan G., entre outros. A Puc era realmente um ambiente fértil! Trocava ideias de autores e leituras com as amigas e os amigos.

Certa vez, peguei uma obra de Florbela Espanca. Um livretinho de capa dura vermelha. Para minha surpresa, um pequeno marcador dobradinho das bordas de uma página de caderno evidenciava o poema Amar da autora portuguesa.

Anos depois, numa manhã de sol, lia sentado à Prainha o romance "Casamento" de Nelson Rodrigues, às gargalhadas. Um professor de direito civil, que passava, me perguntou o motivo das risadas. Expliquei que se tratava de uma sátira e de uma crítica à Família da época.

Tempos depois, em uma aula de direito de família, o dito professor citou a obra em suas lições, sem me dar os devidos créditos da sacada. Fiquei um pouco chateado, sim. Mas, as reflexões e ensinamentos do mestre que nos ensinava a pensar o direito, superavam o evento.

Na realidade, neste momento, estávamos no último ano. Todos preocupados com o exame da ordem. O mestre trazia novidades e tendências do direito, quando a maioria dos alunos só queria saber da Oab. Por falar em Oab, demorei um pouco para tirar a "vermelhinha". Não tirei de primeira. Levei tempo, o que demonstra que é possível passar. Estudar até passar! Para aqueles que levam anos, sendo até que amigos próximos ainda levaram mais anos!

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Hoje, vários verões e invernos depois, tive de ir ao Fórum. Pela manhã, fui à Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), onde a atenciosa atendente, Sra. Sangalo, me ajudou a imprimir algumas petições.

Processos não digitalizados. Protocolos, consultas processuais nos cartórios, cargas de processos físicos e despachos com juízes. Trabalho braçal também faz parte! Ossos do ofício! Apesar disso, um grande prazer realizar tais tarefas! E poder Trampar!

Aliás... para encerrar a conversa de botequim... não custa lembrar! Trampar é importante! Trampar muito faz bem à Saúde! Eu procuro trampar todos os dias! Trampo! Trampo! E Trampo! Sem medo de ser feliz! Graças a Deus! E Deus, na verdade, não tem nada com isso! Não quero incomodar a Deus, com meus problemas de Trampo! Deus tem problemas mais sérios para lidar! Trampo, pois! E sempre tramparei!

Melhor Chamar Dr. T.

Por Nicholas Maciel Merlone

Na solidão e na companhia, busco forças para seguir em frente! Nas leituras e nas viagens que faço a partir de meu banker (quarto) com uma modesta biblioteca, viajo pelo mundo sem sair de casa! A vida segue!

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Atualizado em 25 de outubro de 2021 10:50



Olá! Tudo bem? Meu nome é T. Alguns, nos fóruns, nos ofícios, nas varas, nos tribunais, enfim, no cotidiano forense preferem me chamar por Dr. T. Confesso, desde já, que não me agrada o pronome de tratamento, Dr. Porém, ossos do ofício! Se assim preferem, que assim seja. Também não gosto de ser chamado de Sr. Para mim, Sr. está no céu! Porém, mais uma vez, se assim preferem...

Opto por narrar estes fatos do dia-a-dia na primeira pessoa. Acredito que seja melhor assim. Algo mais corajoso! Sem medo! Um mergulho nas relações jurídicas e humanas, nas quais pulo de cabeça!

Hoje é sexta-feira! Após uma dura semana de trabalho, enfim posso relaxar um pouco. Em minha casa, meu lar, tomo sozinho à noite um vinho tinto de supermercado e fumo um charuto holandês barato. Deixo me envolver pelo néctar de Baco e ser levado pelas fumaças defumadas sem rotas definidas. Eis que toca o telefone.

Uma colega da época de faculdade. Me ajudara bastante nas tarefas e lições do curso. Na ocasião, por falta de experiência, não soube conduzi-la ao esplendor. Ofereci um "miojo" com ovos, quando, na verdade, deveria ter oferecido um salmão defumado, com cebolinhas verdes, com cogumelos, arroz branco, ovos mexidos e um bom vinho. Minha amiga me liga, assim, de repente, no meio da noite. Também advogada deseja marcar uma reunião acerca de um caso. Não recuso! E marcamos de pronto!

No sábado, encontro-a em um café, localizado em uma esquina, próximo a um grande hotel. Ela logo diz, quando pergunto do que se trata: "Bora logo resolver pendências!". E sem deixar que me manifestasse diz: "O hotel é logo ali! Vamos?!". E obediente e como seu fiel servo, deixo-me levar e conduzir por seus encantos, feitiçarias, magias puras!

Um ótimo fim de semana. Uma nova semana se irradia! Após refeições, almoços e orações em família, me preparo para mais uma semana no batente! O trabalho! Em frente!

No fórum de Santana, duas audiências no mesmo dia, uma seguida da outra. Dr. T, de Terno e gravata. Apesar de tudo, não reclamo! Faz parte! Gosto de dizer que estou fantasiado! E, por baixo de minha fantasia, um amuleto da sorte! Minha camisa do Batman para dar sorte!

Para conciliar as audiências, chego um pouco cedo e converso com os responsáveis de cada ofício, para explicar a situação e as demandas. Cientes disso, me tranquilizam e dizem que não há com o que se preocupar.

Uma audiência de violência doméstica e outra sobre regulamentação de visitas (direito da Família). Sou academicamente especialista em direito do Estado e constitucional, com foco no Direito Público. Já na prática forense sou um generalista, com atenção particular em determinados temas, como Consumidor e Família e PMEs. Na realidade, tenho parcerias com outros advogados, o que me permite atuar em diversas frentes. Mas! Voltemos aos Fatos!

No caso da violência doméstica, consegui que a excelentíssima juíza absolvesse o réu. Nas alegações finais, a digna promotora de justiça alegou por tempo extenso suas observações. Quando me foi dada a palavra, logo disse de início que seria breve. Meus argumentos! O réu é primário e sem antecedentes. As medidas protetivas concedidas afastam a suposta vítima de qualquer perigo. Há insuficiência probatória no caso, não sendo comprovados os fatos. Temos hoje a Justiça Seletiva, velha conhecida da Opinião Pública. O STF (Supremo Tribunal Federal), nesse sentido, absolveu um furto de um copo de requeijão. Assim, seria preciso uma mudança de cultura e posturas, sem a ânsia condenatória, diante da insignificância e bagatela, que não ferem significativamente o bem jurídico protegido. Disse que seria breve! E assim fui! Logrando êxito no feito!

Já quanto à ação de regulamentação de visitas, trata-se de um caso que envolve uma tia-avó pleiteando mais tempo com os netos, em detrimento dos pais. Os genitores nunca se casaram e estabeleceram de comum acordo as regras de visitas dos menores. Os pais simples e bem esclarecidos, não negam as visitas a tia-avó, constatado os laços afetivos das crianças com a senhora. Porém, a senhora alega até que as crianças choram quando vão embora. O que, no entanto, clarificado quando o pai informa que a senhora comprou um Playstation e só deixa os sobrinhos netos utilizarem em sua residência. Quando as crianças pedem para leva-lo para casa, a tia-avó nega, afirmando que o brinquedo só pode ser utilizado em sua casa. Diante das exposições dos fatos, dos argumentos das partes e nossos, e concessões de nossa parte, o outro pólo da ação quer mais, não satisfeito com as concessões. No final, a audiência restou infrutífera. Porém, o martelo da lei, após uma parábola à Esopo, não uma filosofia kantiana ou aristotélica, resumiu com uma estória filosófica cotidiana, que, em síntese, "quem tudo quer, nada tem!".

Finalmente, depois de mais uma semana, mais um final de semana! Recarrego as baterias. Vou a bares, botecos, botequins e ponho o papo em dia com os amigos. Passo mais tempo em família. Por outro lado, também passo horas sozinho. Na solidão e na companhia, busco forças para seguir em frente! Nas leituras e nas viagens que faço a partir de meu banker (quarto) com uma modesta biblioteca, viajo pelo mundo sem sair de casa! A vida segue! Não há como parar o trem! Temos de seguir em frente! Em frente! E viva Saul! E viva Suits! Better call Saul e Suits pulando da telinha da tevê, do Netflix, para um mundo fantástico! Uma vida dura, porém uma bela jornada!

Nel Mondo di Bobbio e Beccaria - B.B. Kings!

Por Nicholas Maciel Merlone

Em uma das mesas, dois grandes amigos de longa data se encontram e botam o papo em dia...

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Atualizado às 09:06


Sexta-feira à noite. Faz frio, muito frio. Folhas secas de plátano são sopradas pelo vento e rodopiam em aspirais pelas ruas e calçadas. Mulheres, homens, idosos e crianças transitam num vai e vem frenético, todos bem agasalhados, com chapéus, tocas, boinas, cachecóis, casacos, tênis, sapatos, botas e outras vestimentas. No centro da cidade metrópole megalópole cinematográfica, doce senhora, Sampa city, uma praça aconchegante, cortada por uma ruazinha sinuosa, com um chafariz no centro, com alguns restaurantes de massa. Dentre esses, um piano bar fantástico!

Em uma das mesas, dois grandes amigos de longa data se encontram e botam o papo em dia. Neste momento, toca La Traviata. Bobbio e Beccaria, ao som da canção, lembram de suas aventuras amorosas da adolescência temporona, aos 20 e poucos anos. Lembram que saiam pela cidade noturna em busca de paixões ardentes e súbitas, de rua em rua, de esquina em esquina. Então, a música acaba. E começa outra: La donna è mobile!

E os amigos, assim, clamam pelo garçom camarada de sempre, seu Jorge, que lhes traz, prontamente, uma brusquetta temperada e dois chinottos gelados com canudinhos. Bobbio e Beccaria, então, lembram das donnas, jovens coroas de 30 e poucos, suas vítimas favoritas. Risadas e boas lembranças eternizadas pelas areias do tempo e pelas leituras vivenciadas de Balzac.

Depois de amenidades, discutem outras ideias. Ao longo da conversa, um decide sintetizar os pensamentos do outro.

Beccaria diz: "Estimado amigo! Tu és grande! Ensinou à esquerda que a igualdade deve se preocupar com as liberdades individuais e que a democracia não é meramente procedimental, mas um verdadeiro valor estratégico, substantivo, que deve ser real e não mera retórica! E aos liberais, que o liberalismo político deve considerar a igualdade, não se limitando a um liberalismo econômico, preocupando-se com o social! - um genuíno crítico da política e pensador humanista social-liberal!"

Bobbio, agradecido, retribui: "Ora, nobre amigo! Tu também és grande! Criticou as duras penas sofridas pelas pessoas. Contra a tortura e tratamentos degradantes. Lutou pela humanidade das penas, contra abusos e ilegalidades. Por um direito penal mais justo e pela paz social na sociedade. Afinal, quem rouba uma melancia para alimentar a família não merece a mesma pena de um genocida. Ou ainda, daquele que furta um bacalhau. Já que... talvez precise de ômega 3, mas não vem ao caso! Enfim, és um grande dos grandes!"

Mas chega de rasgação de seda. Neste instante, passa a tocar Viva la Mamma! E o seu Jorge serve-lhes cannolis apetitosos e mais dois chinottos estupidamente gelados! E os dois amigos, de goles em goles, vão pra longe de novo! Voltam aos tempos de faculdade. Lembram dos jogos jurídicos, das festas e das peripécias secretas, que ninguém um dia saberá!

Então, o papo de repente é cinema. Lembram do Ladrão de Bicicletas, Cine Paradiso e outros como Os Boas Vidas e A Comilança. As imagens, assim, passam pela telinha de suas mentes e, entre um gole e outro de chinottos, os dois relembram as cenas clássicas dos dois últimos filmes, às gargalhadas e soluços!

Finalmente, avistam pela janela passar pela calçada una bella donna! E enquanto isso, John Pizzarelli surge na mágica noite e toca The Girl from Ipanema! Admiram a donna mais bela que Nicole Bahls ou talvez Alice Braga! Ou ainda, Sophia Loren, em seus tempos áureos! Mas não importa! Nada disso importa! A noite começa! Os amigos celebram e brindam a vida e a amizade! E, de súbito, chega de mansinho sem avisar a canção Volare! Volare! Volare, oh, oh! Cantare, oh, oh!

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Marcus Teles, CEO da Livraria Leitura. Crédito: Divulgação


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