O poema inverte a lógica colonial: não é o índio que precisa da "civilização" europeia, mas o português que chega impondo roupa, doutrina e violência num dia de chuva — e o "erro" está justamente na anedota histórica, ironizada como se a colonização tivesse sido apenas um desencontro de clima. Por trás do humor simples, Oswald denuncia a violência simbólica da catequese e do vestir/desvestir como metáfora de imposição cultural, um dos gestos centrais da poesia antropofágica de 22: usar a língua do colonizador contra o próprio colonizador.
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