sábado, 13 de maio de 2023

O Bar Sibéria, em Nova York, e a Passagem Literária, no Metrô Paulista, da Rua da Consolação, em Sampa City

 A Passagem Literária é um ambiente peculiar, exótico, mágico e fantástico!

Por Nicholas Maciel Merlone



Sérgio Dávila, jornalista brasileiro, atualmente, diretor de redação da Folha de S. Paulo, é autor da obra: Nova York - Antes e Depois do Atentado (Coleção Vida de Repórter). Nela conta histórias da Big Apple. Em seu primeiro capítulo (Em busca do santo bar), trata do misterioso Bar Siberia.


Este espaço se localiza, segundo o repórter, “literalmente num buraco, no caso, uma estação de metrô, e o dono não quer que você o ache”. Além disso, “Insiders dão indicações erradas. New yorkers falam que vão levá-lo um dia, e o dia nunca chega. Então, você resolve encontrá-lo por conta própria”. 


Assim, prossegue: “Duas semanas de tentativas esparsas e faz-se a luz. O Bar Siberia existe. E é o máximo. Você entra e dá de cara com um pôster do Lênin, ao lado do Guia Genial dos Povos, um balcão velho. No teto, com parte do forro faltando, uma assinatura atesta que o elenco de Grease esteve lá, assim como um certo ‘El capitán y sus amigos’. A jukebox, no segundo ambiente, toca músicas [...] Tem sofás vermelhos gastos, um pinball e um terceiro ambiente, com pista, DJ e mais um balcão.” Adiante conta: “O nome e as referências russas nas paredes são uma homenagem, segundo o dono Tracy Westmoreland. 


Ele procurava um bom ponto para alugar quando conheceu um russo, Yuri, que o levou até onde hoje funciona o Siberia. Lá contou como três ex-agentes da KGB foram mortos exatamente naquele corredor, fugindo das autoridades americanas. Tracy não espera que você acredite na história.” Finalmente, “na saída, um desenho feito à mão por um frequentador numa das intermináveis madrugadas (o bar fecha às 4h) mostra a caricatura inconfundível e a frase: ‘Elvis Lives in Siberia’. Não vive, mas gostaria de ter visitado”. Dávila, por fim, compara o local com a Passagem Literária da Rua da Consolação.


Falemos, pois, desta Passagem paulista!


Fica na Rua da Consolação, próxima à Av. Paulista, no metrô Paulista, adiante do Metrô Consolação, próximo também do Cinema Belas Artes.




A Passagem Literária é um ambiente peculiar, exótico, mágico e fantástico!



Tem livros de diversos assuntos, de literatura, geografia, história, sociologia, filosofia e psicologia à administração, economia e direito, dentre muitos outros. Tem livros de 1 por R$ 3 e 2 por R$ 5. Nessa promoção seleta, bagunçada numa mesa no centro do local, com uma boa peneira, encontramos boas obras, além de ser possível também fazer uma saudável pechincha, negociação bem aceita pelos vendedores.



Além disso, há alguns quadros de arte expostos pela passagem.





Jovens estudantes e universitários, além de casais de namoradinhos, e a geração mais madura e experiente, transitam pela área - um ponto certamente democrático!



Odete Machado e Eduardo Oliveira são os donos, que recepcionam a todos, com atenção e simpatia.


A Passagem Literária está aberta de segunda à sexta das 10h30 às 18h45, sábado das 11h às 18h45, e não abre aos domingos.




Enquanto não vamos ao Bar Sibéria, está mais do que de bom tamanho a Passagem Literária! Esta passagem é, realmente, um patrimônio histórico e cultural de nossa querida Sampa City, que vale muito a pena ser visitado e conhecido! Recomendo vivamente!


Veja a versão em inglês aqui!

Boa leitura!

quarta-feira, 8 de março de 2023

As mulheres de 30 O que mais as espanta... Mário Prata

 As mulheres de 30


O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. Olhe o que ele diz:
'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'.

Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: 'Madame Bovary c'est moi'. E a Marilyn Monroe, que fez tudo aquilo entre 30 e 40?

Mas voltemos a nossa mulher de 30, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de 30 bebe. A mulher de 30 é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passa, automaticamente, a ter 40. E o que mais encanta nas de 30 é que parece que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha!

A mulher de 30 está para se separar. Ou já se separou. São raras as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em compensação, ainda antes dos 40 elas arrumam o segundo e definitivo.
A grande maioria tem dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar.

Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar.

O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote de seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de 30 guiando jipe? Covardia.

A mulher de 30 ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de 20, nunca ficou. Quando resolve, vai pra valer. Faz sexo como se fosse a última vez. A mulher de 30 morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele 20 ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena, que, infelizmente, nunca chegou aos 30?

Mas o que mais me encanta nas mulheres de 30 é a independência. Moram sozinhas e suas casas têm ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, à hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam.

São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam.

Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'.

Ponto. Pra elas.

Mário Prata 

Nota: Crônica publicada na Revista Época.

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