terça-feira, 9 de setembro de 2025

O DIASP | ÉDIPO REI terá estreia mundial em São Paulo

Publicado originalmente no Jornal O DIASP (veja aqui!)

Uma ópera em português que une música e dança em montagem inédita da UNIOPERA

Por Nicholas Maciel Merlone

Em setembro, São Paulo será palco de um acontecimento histórico para a cena lírica contemporânea: a estreia mundial da ópera ÉDIPO REI, do maestro e compositor Luciano Camargo, no Teatro Bradesco. A temporada, com sete récitas entre os dias 26 de setembro e 5 de outubro, promete unir tradição e inovação em uma montagem grandiosa que reúne orquestra sinfônica, solistas de destaque, coro e a presença da dança contemporânea.


Maestro Luciano Camargo, autor da ópera ÉDIPO REI |
Foto: Andrea Camargo/Divulgação
Inspirada na clássica tragédia de Sófocles, a ópera foi concebida ao longo de quase dez anos de trabalho. Estruturada em quatro atos, mantém a fidelidade à narrativa original, ao mesmo tempo em que amplia suas dimensões simbólicas e musicais. O libreto e a direção cênica são assinados por Rodolfo García Vázquez, fundador do grupo Os Sátyros.

Um dos aspectos mais marcantes da obra é a escolha da língua portuguesa como idioma integral da encenação. Em contraste com a tradição do repertório operístico, usualmente cantado em italiano, francês ou alemão, ÉDIPO REI aposta no português como forma de afirmação cultural e aproximação com o público brasileiro. “A Língua Portuguesa, com sua musicalidade própria, precisa ocupar seu espaço nas grandes formas musicais. É também um convite para que o público brasileiro se reconheça no palco como protagonista cultural”, afirma Luciano Camargo, que também estará à frente da regência.


Para dar vida a essa arquitetura sonora, o elenco reúne intérpretes de renome: Jabez Lima e Rafael Stein (Édipo), Joyce Martins (Jocasta), Rodolfo Giugliani (Creonte), Gabriela Bueno (Tirésias) e Isaque Oliveira (Corifeu).


A montagem ganha ainda maior expressividade com a participação do Ballet Jovem Cisne Negro. Quatro bailarinas integram a cena de Jocasta, no terceiro ato, sob coreografia de Stephanie Alvarenga. A inserção da dança amplia o caráter ritualístico da obra, oferecendo novas camadas de leitura.


Com cenários de Priscila Soares, iluminação de Guilherme Bonfanti, figurinos de Amanda Pilla B. e Samantha Macedo, além da maquiagem de Ana Paula Costa, ÉDIPO REI assume uma encenação contemporânea que preserva a densidade da tragédia grega sem abrir mão de falar ao presente. Ingressos: https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/opera-edipo-rei-14230 


Sobre o compositor


Fundador da UNIOPERA, doutor pela ECA-USP, regente e professor universitário, Luciano Camargo tem carreira consolidada em repertório vocal-sinfônico e operístico. Desde 2018, dirige temporadas de ópera no Teatro Bradesco, com títulos consagrados como A Flauta Mágica, O Barbeiro de Sevilha, Carmen, La bohème e La traviata. Como compositor, assina obras sacras, corais e, agora, sua primeira ópera de grande porte com ÉDIPO REI.

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Entrevista com o maestro e compositor Luciano Camargo

 Entrevistado por Nicholas M. Merlone 

1) Conte-nos um pouco da sua trajetória


Sou regente, compositor e professor universitário, com especialização no repertório vocal-sinfônico e operístico. Minha formação é toda pela ECA-USP, onde concluí o bacharelado, o mestrado e o doutorado em Música. No doutorado, desenvolvi uma pesquisa sobre a música soviética do século XX, em especial as sinfonias de Dmitri Chostakóvitch, autor que sempre me inspirou pela linguagem musical inovadora de sua obra.


Como regente, tive a alegria de dirigir produções operísticas de grande alcance desde 2018, no Teatro Bradesco em São Paulo — incluindo títulos como A Flauta Mágica, de Mozart; O Barbeiro de Sevilha, de Rossini; Carmen, de Bizet; La bohème, de Puccini; e La traviata, de Verdi, que inclusive se tornou objeto de um estudo de pós-doutorado em performance musical.


Maestro Luciano Camargo, autor da ópera ÉDIPO REI | Foto: Andrea Camargo/Divulgação
Minha trajetória também tem uma forte dimensão internacional: vivi dois anos em Freiburg, na Alemanha, como diretor de música sacra, realizei estágio acadêmico no Conservatório Estatal de São Petersburgo, na Rússia, e tive a oportunidade de reger como convidado a Orquestra Filarmônica de Lugansk e a Orquestra Sinfônica Estatal de Variedades de Kiev, na Ucrânia, além de ter realizado um concerto com obras de compositores brasileiros frente à Orquestra Gran Mariscal de Ayacucho em Caracas em junho de 2025, a convite da Embaixada do Brasil na Venezuela.

Desde 2023, atuo como professor de regência e canto coral no Instituto de Artes da UNESP, sempre conciliando o ensino com a atividade criativa. Como compositor, trilhei caminhos ligados principalmente ao repertório sacro, com obras corais e orquestrais como Christus vincit, Christus regnat, Christus imperat (2001), Auto de Natal (2009) e Cântico Universal (2013).


Agora, em 2025, estou prestes a realizar um dos projetos mais significativos da minha carreira: a estreia da minha primeira ópera, Édipo Rei, com libreto de Rodolfo García Vázquez, inspirada na tragédia de Sófocles.



2) O que te fez tomar gosto pela música?


Eu costumo dizer que o momento decisivo aconteceu quando eu tinha por volta de dez ou doze anos. Foi quando assisti ao filme Amadeus. Aquela experiência foi reveladora: ver a vida de Mozart retratada na tela me fez perceber, pela primeira vez, que a música e a composição não eram apenas um fascínio distante, mas poderiam ser caminhos profissionais possíveis. A partir dali, a ideia de viver da música ganhou uma clareza que nunca mais me deixou. O encantamento inicial, somado à vivência com coros, concertos e estudos, só confirmou essa vocação e me levou a seguir adiante, com cada vez mais entrega e paixão.

3) O que te motivou a seguir a carreira de maestro e compositor?

A regência sempre me atraiu pela possibilidade de transformar o gesto em som coletivo. Desde cedo percebi que reger é muito mais do que marcar compassos: é dar forma a uma experiência estética compartilhada, conduzindo músicos e público a uma mesma respiração. Esse papel de mediador entre a partitura e a emoção foi determinante para a minha escolha.

Já a composição veio de uma necessidade íntima de expressão. Trabalhar com o repertório tradicional é um privilégio, mas havia em mim a vontade de criar algo que dialogasse com o presente, com a nossa cultura e com as inquietações que carrego. Foi assim que nasceram minhas cantatas e obras sacras, e mais recentemente a ópera ÉDIPO REI. Escrever uma ópera é um mergulho profundo: exige paciência, persistência e uma escuta muito atenta do que significa contar uma história por meio da música. Esse desejo de dar voz própria, ao mesmo tempo em que dialogo com a tradição, é o que me motiva todos os dias.


4) Qual é o papel da música na educação, cultura e desenvolvimento do país?

A música, assim como as demais artes, constitui a própria identidade de um povo. Por esta razão, o cultivo, o ensino e o incentivo à música nos diversos níveis - desde educacionais até as mais altas instituições musicais - são essenciais para o desenvolvimento e a afirmação dos valores de uma comunidade, sua própria autonomia de pensamento.


Em grande medida, a música de raiz folclórica e as manifestações populares em geral já contribuem de forma significativa com a identidade brasileira. Entretanto, a música de concerto e, em especial, a ópera, carecem de investimentos e um comprometimento definitivo das diversas instâncias governamentais para seu efetivo desenvolvimento e difusão social.


Para além de sua importância intrínseca, há que se considerar que a música tem impacto direto na sociedade: ela gera empregos, movimenta a economia criativa, mas sobretudo amplia horizontes, porque uma sociedade que valoriza a arte forma cidadãos mais críticos, sensíveis e preparados para enfrentar desafios. Investir em música é investir em pessoas — e sem esse investimento não há futuro possível.



5) Que conselhos daria a um jovem que pretenda seguir a carreira de maestro e compositor?


Não tenha pressa. A música é feita de tempo, de amadurecimento e de escuta. Estudar com dedicação é essencial, mas tão importante quanto o estudo é a experiência prática: reger pequenos grupos, escrever peças curtas, ouvir muito, errar e corrigir.


Outro ponto é cultivar a humildade do diálogo. O maestro não é um solista, mas alguém que cria unidade; o compositor não escreve para si mesmo, mas para que sua obra ganhe vida nas vozes e instrumentos de outros. Por isso, é fundamental aprender a ouvir o outro.


E, por fim, eu diria: busque sua própria voz. Aprenda com os grandes mestres, mas não se acomode em repetir fórmulas. O que vai sustentar sua carreira é a autenticidade, a verdade daquilo que você tem a dizer por meio da música.


sábado, 23 de agosto de 2025

Ópera “ÉDIPO REI” estreia mundialmente em São Paulo com música original de Luciano Camargo

 A clássica tragédia de Sófocles é reinventada como uma grande ópera cantada em português e marca um momento histórico para a produção lírica contemporânea no Brasil



São Paulo, 2 de julho de 2025 – A partir de 26 de setembro, o Teatro Bradesco recebe a estreia mundial da Ópera ÉDIPO REI, obra inédita do maestro e compositor Luciano Camargo, com libreto e direção cênica de Rodolfo García Vázquez (fundador do grupo Os Sátyros). A produção é uma realização da UNIOPERA, reunindo orquestra, coro e solistas em uma montagem grandiosa e contemporânea, inteiramente cantada em português — uma escolha artística que resgata e atualiza uma tradição ainda rara, mas historicamente relevante, no repertório operístico nacional.


Embora o Brasil conte com exemplos notáveis de óperas escritas em português — como Pedro Malazarte, de Lorenzo Fernandez, O contratador de diamantes, de Francisco Mignone, e Yerma, de Heitor Villa-Lobos — o número de grandes produções originais em língua portuguesa ainda é pequeno no cenário operístico profissional. A Ópera ÉDIPO REI, composta entre 2013 e 2022, soma-se a esse seleto conjunto de obras, propondo um diálogo entre a musicalidade do idioma e a força dramática da tragédia grega.


Baseada na peça de Sófocles, “Édipo Rei” é considerada uma das maiores tragédias do teatro antigo e ganha nova forma em quatro atos, com dramaturgia musical densa e estrutura fiel à obra original. A narrativa acompanha o herói tebano na investigação do assassinato do Rei Laio – uma busca que acaba por revelar segredos terríveis sobre sua própria origem. Ao longo de 150 minutos de espetáculo, o público será conduzido por uma jornada de mistério, identidade e destino.


A obra se destaca não apenas por sua densidade dramatúrgica, mas também pelo idioma escolhido. Segundo o compositor Luciano Camargo, escrever uma ópera em português foi uma decisão estética e política: “A Língua Portuguesa, com sua musicalidade própria e riqueza expressiva, precisa ocupar seu espaço nas grandes formas musicais. É também um convite ao público brasileiro para se ver refletido na ópera, não como estrangeiro, mas como protagonista cultural.”


Maestro Luciano Camargo, autor da ópera ÉDIPO REI | Foto: Andrea Camargo/Divulgação



Com linguagem pós-tonal, fortemente influenciada por autores como Dmitri Chostakóvitch, e uso expressivo de leitmotifs associados a personagens e ideias, a obra alia sofisticação técnica e impacto emocional direto.


“Escrever essa ópera foi um processo artístico e existencial. A tragédia de Édipo, com sua busca incansável pela verdade, se revela dolorosamente atual”, afirma Camargo, que conduzirá a orquestra nas sete récitas da temporada.


O libreto, escrito por Rodolfo García Vázquez, traz à cena o coro grego como figura central, preservando a dimensão filosófica e coletiva do teatro antigo. A montagem conta ainda com cenários de Priscila Soares, iluminação de Guilherme Bonfanti, figurinos de Amanda Pilla B. e Samantha Macedo, e maquiagem de Ana Paula Costa.


O papel-título será interpretado alternadamente por Jabez Lima e Rafael Ribeiro. Joyce Martins vive Jocasta, ao lado de Rodolfo Giugliani (Creonte), Gabriela Bueno (Tirésias) e Isaque Oliveira (Corifeu).


Sobre o compositor: Luciano Camargo


Fundador da UNIOPERA, doutor pela ECA-USP, regente e professor universitário, Luciano Camargo tem uma carreira consolidada em repertório vocal-sinfônico e operístico. Desde 2018, dirige temporadas de ópera no Teatro Bradesco, com títulos consagrados como A Flauta Mágica, O Barbeiro de Sevilha, Carmen, La bohème e La traviata. Como compositor, tem no currículo obras sacras, corais e, agora, sua primeira ópera de grande porte com ÉDIPO REI.


A estreia promete ser um marco no cenário operístico nacional, oferecendo ao público uma produção profunda, original e cantada em português — algo ainda raro nas grandes casas de ópera.


Sobre a UNIOPERA


A UNIOPERA (Associação Coral da Cidade de São Paulo) é uma entidade não-governamental sem fins lucrativos dedicada à difusão da ópera, da música de concerto e do canto coral. São mais de 20 anos de tradição, realizando montagens nas principais salas de espetáculo no estado de São Paulo. Desde 2016 realiza regularmente temporadas de concertos sinfônicos e óperas no Teatro Bradesco, em São Paulo.


Desde sua fundação, em 2002, mais de 2 mil pessoas já tomaram parte do Coral da Cidade de São Paulo e de seus cursos de teoria musical, solfejo e técnica vocal, oferecidos gratuitamente para participantes de todas as idades, profissões e interesses. A entidade, constituída juridicamente desde 2009, possui atualmente centenas de associados e participantes de suas atividades artísticas e formativas.


A UNIOPERA é pioneira em produções independentes na área da música de concerto e ópera, e realiza espetáculos de grande porte fora do circuito convencional, com a participação voluntária por meio de um coral comunitário, inspirado no modelo da “Wiener Singverein” (União Vienense de Canto).


SERVIÇO


Ópera Édipo Rei
Compositor e regente: Luciano Camargo
Direção cênica e libreto: Rodolfo García Vázquez
Classificação etária indicativa: 12 anos


Teatro Bradesco São Paulo

Shopping Bourbon – R. Palestra Itália, 500 – Perdizes – São Paulo – SP


Datas:

26 de setembro, 2 e 3 de outubro, às 20h

27 e 28 de setembro, 4 e 5 de outubro, às 16h


Elenco:

Édipo – Jabez Lima e Rafael Stein

Jocasta – Joyce Martins

Creonte – Rodolfo Giugliani

Tirésias – Gabriela Bueno

Corifeu – Isaque Oliveira

Mensageiro de Corinto – Fellipe Oliveira

Pastor – Ernesto Borghi

Damas de companhia – Ballet Jovem Cisne Negro

Anne Evelyn

Ana Paula Trevisan

Ana Luiza Veiga

Graziela Mendonça


Direção artística Cisne Negro: Dany Bittencourt

Coreografia: Stephanie Alvarenga


Figurinos: Amanda Pilla B. e Samantha Macedo

Cenários: Priscila Soares

Iluminação: Guilherme Bonfanti

Maquiagem: Ana Paula Costa

Direção cênica: Rodolfo García Vázquez

Coro e orquestra: Cia. UNIOPERA

Direção musical: Luciano Camargo



Realização:

Associação Coral da Cidade de São Paulo/UNIOPERA | Link

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terça-feira, 19 de agosto de 2025

Entre o Papel e a Tela: A Nova Era da Leitura

  Por Nicholas Maciel Merlone

Publicado originalmente no Jornal O DIASP (veja aqui!)

Durante anos, repetiu-se a mesma pergunta: os e-books vão acabar com os livros impressos? O debate parecia colocar dois mundos em confronto: de um lado, a tradição das páginas impressas; do outro, a modernidade dos arquivos digitais. Mas a realidade, observada de perto, revela algo mais interessante: não estamos diante de uma disputa, mas de uma aliança silenciosa que redefine a forma como lemos.

O livro impresso ainda guarda um poder simbólico difícil de traduzir. É presença física, objeto de afeto. Está no presente especial, na herança que passa de geração em geração. Folhear páginas, tateá-las, sentir o cheiro do papel, marcar trechos com lápis— tudo isso faz parte de uma experiência sensorial que resiste ao tempo.

O e-book, por sua vez, não é inimigo. Ele chegou para ampliar horizontes. Permite carregar uma biblioteca inteira no bolso, ajustar letras para qualquer visão, iluminar a leitura no escuro. Democratiza o acesso e rompe barreiras geográficas: um estudante no interior pode baixar em segundos um livro lançado em Nova York. O digital é inclusão.

O que vemos hoje é um cenário de complementariedade. Há quem prefira estudar com o livro físico e viajar com o leitor digital. Outros escutam o audiolivro no caminho para o trabalho e voltam ao impresso antes de dormir. Longe de uma guerra, vivemos a era da convergência, onde cada formato encontra seu espaço no cotidiano.


Como advogado, jornalista, professor e leitor, arrisco dizer: nunca se leu tanto e de tantas formas diferentes. A discussão deixou de ser sobre quem vence e passou a ser sobre como cada suporte pode enriquecer nossa experiência. O impresso preserva a memória e a tradição; o digital amplia o alcance e rompe fronteiras.

No fim, não importa se a história é lida em papel amarelado ou em tela iluminada. O que importa é que ela continue sendo contada. Porque o verdadeiro protagonista não é o formato, mas o leitor.

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Saiba mais!

Boa leitura!

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Crítica de “Meu Ano em Oxford” — um romance que conquista e comove

 Por Nicholas Maciel Merlone

Publicado originalmente no Jornal O DIASP (veja aqui!)

Oxford como alma da história

Sob a direção de Iain Morris, a cidade de Oxford assume papel de protagonista tanto quanto os próprios personagens. Mais que cenário, ela se torna parte essencial da trama, conferindo autenticidade e profundidade à narrativa. A fotografia aposta em tons dourados e suaves, ressaltando o caráter histórico e despertando uma sensação de nostalgia. O espectador é conduzido por corredores e praças da Inglaterra clássica, mergulhando em um universo de tradição e refinamento.


Uma condução delicada e precisa


Morris demonstra habilidade ao mesclar, de forma harmoniosa, o frescor da comédia romântica e a densidade do drama. Seu trabalho é marcado por ritmo equilibrado, sem exageros, e por escolhas sutis que dão naturalidade ao enredo. Ao evitar fórmulas desgastadas, o diretor consegue tratar assuntos complexos com sensibilidade, mantendo o público próximo dos personagens e de seus dilemas.

Interpretações que deixam marca

Sofia Carson entrega uma Anna De La Vega cativante — determinada, sonhadora e, ao mesmo tempo, vulnerável. Sua atuação gera empatia imediata. Corey Mylchreest, no papel de Jamie Davenport, equilibra o sarcasmo britânico com emoção contida, criando um contraste encantador com a vivacidade de Anna. Juntos, formam uma química rara e convincente, que sustenta o romance de forma envolvente e memorável.


Um final que reverbera


“Meu Ano em Oxford” é mais que um romance de streaming: é uma homenagem às intensidades da vida, ao amor que floresce mesmo em meio à dor e à urgência que o tempo impõe. Visualmente arrebatador e emocionalmente sincero, o filme oferece ao público uma jornada que mescla beleza, emoção e autenticidade.


Quem se deixar levar por esta história encontrará risos, ternura e, possivelmente, lágrimas. Porque, no fundo, o que torna um amor inesquecível é a forma como ele se vive no presente — e é esse presente que, aqui, vale para sempre.

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